segunda-feira, 31 de março de 2008

Segunda-feira maneira.

"Nós somos todos culpados do crime, o grande crime de não viver a vida ao máximo. Mas nós somos todos potencialmente livres. Podemos parar de pensar naquilo que falhamose fazer tudo que estiver ao nosso alcance. Aonde esse poder que está em nós pode chegar, ninguém jamais ousou verdadeiramente imaginar. Que isso é infinito nós iremos perceber no dia que admitirmos que imaginação é tudo. Imaginação é a voz da audácia”.
Henry Miller

terça-feira, 25 de março de 2008

CANDICE - capítulo 09

Leia os capítulos anteriores – Mais relaxado, sentei encostado numa pedra e fiquei algum tempo observando a ilhota. Ela é realmente bem próxima da costa, uns 500 metros da terra, calculei.
Baseado no fato de que depois da ilha, a costa toda parecia intocada, e que ela era igualzinha a do meu sonho na noite anterior, ponderei para mim mesmo que as garotas só poderiam estar por lá. É muita coincidência, pensei. Resolvi então descer o morro em direção à ponta da baía, para chegar mais próximo da ilha e observá-la melhor.

Enquanto descia, ia prestando atenção no caminho para não tropeçar nas pedras e buracos do percurso e assim de vez em quando levantava a cabeça para olhar o meu objetivo e acertar o meu rumo. Paisagem exuberante! Conforme eu me aproximava da ponta de pedras, a cada passo, eu descobria novos recantos e encantos na enseada, enquanto o sol da manhã aquecia meu lombo e o vento da terra batia nas minhas costas trazendo um cheiro de mato molhado. Apesar da minha situação, me peguei olhando para tudo aquilo com o deslumbramento de uma criança. Eu sorria e estava feliz.

Numa das vezes em que levantei a cabeça, minha visão enquadrou a ilha e fez com que meu coração batesse mais forte. Uma fumaça vertical subia por trás de um morro no canto norte. Corri os poucos metros que faltavam até a ponta de pedras mais extrema do continente e afinando a visão fiquei analisando cada detalhe da paisagem em busca de mais vestígios. Numa pequena praia de areias brancas bem no meio da ilha, estava o elemento que faltava para confirmar minhas suposições. No canto sul da prainha, encostado em uma pedra, visualizei o bote das garotas. O sentimento de felicidade que preenchia o meu peito, movido pela beleza do lugar, transformou-se rapidamente em euforia e quando dei por mim, estava nadando afoitamente em direção a ilhota, imerso na aventura em elas haviam me metido. Continua...

segunda-feira, 24 de março de 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

CANDICE – capitulo 8

Leia os capítulos anteriores - Elas levaram todo o dinheiro, a minha segunda prancha, meus neoprenes, minhas roupas, a minha comida e além de tudo, as chaves do carro. Caraca que roubada! Agora estava eu ali, há 150 km de qualquer lugar civilizado, na beira de uma praia deserta onde só se entra de 4x4 e onde a chance de alguém aparecer é nenhuma. Levantei os olhos para o mar e uma série verdinha quebrou perfeita lambida pelo terral, lembrando-me que minha prancha estava com a quilha quebrada. Fiquei olhando aquela cena, hipnotizado pelas ondas e comecei a recordar a noite passada. Imagens do barco das garotas dirigindo-se para a direita, em direção ao canto da praia invadiram a minha cabeça e preenchido por uma onda de otimismo, em uma súbita iluminação deduzi:

- É claro, elas estão no canto da praia, do outro lado do morro!
Num impulso incontido, saí correndo pela beira da praia em direção ao lado oposto da baía. Estou sem comida, melhor economizar energia pensei, diminuí a velocidade e logo eu estava prudentemente caminhando. Quando cheguei ao canto, contornei as rochas e comecei uma escalada vertical em direção ao topo do morro. Meu coração batia forte embalado pela inclinação do percurso, pela ansiedade e ao mesmo tempo pelo temor de ser corrido à bala ao encontrá-las. Nos últimos metros antes de chegar ao cume, tive bastante cuidado e rastejei ridiculamente pela grama, esfolando os joelhos e os cotovelos nas pedrinhas que estavam no caminho. O panorama do lado sul do morro foi abrindo-se progressivamente à minha visão enquanto eu avançava com prudência. Fui esquadrinhando a paisagem à procura de algum sinal das garotas, da beira da praia até a ponta do morro. Nenhum vestígio. Mas um elemento novo surgiu na paisagem e me deu certeza de que eu havia encontrado o que estava buscando. Uma pequena ilha, bem ali na minha frente. Do lado da baía onde eu estava acampado era impossível vê-la, mas dali, ela parecia bem próxima da costa.
- É a ilha que apareceu no meu sonho! aquela para qual o pai de Candice apontava. continua...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Segunda-feira maneira.

"Quando vivi no Japão, eu estudei muitas práticas espirituais - Zazen, Aikido, Kendo, recitei Okyo ou o Lotus Sutra, e cantei-os sob cachoeiras geladas. Cada um deles me trouxe um tipo de paz meditativa, entretanto eu logo percebi, depois que Obo-san explicou-me sobre a dinâmica da meditação na cachoeira, sobre a infusão de energia Ki vinda da queda da água e a respeito dos benefícios de seus íons negativos, que nós os surfistas já conhecemos esta forma de meditação. Está tudo na nossa prática, na nossa experiência como surfistas. Ela nos fornece todos os desafios que o mar poderoso tem para oferecer ao nosso caráter, e eles tem um profundo poder de cura."

Mark Gray (surfista e professor)

quarta-feira, 12 de março de 2008

CANDICE – capitulo 7

Leia os capítulos anteriores - Levei a mão à cabeça e pude sentir o líquido morno sobre um caroço dolorido que começava a se formar no topo da minha testa. Sentei. Ainda estava escuro e chovia muito, o ferimento começava a latejar. O sangue escorria por trás da minha orelha direita e ia alojar-se na gola da minha camisa, empapando o meu ombro. O corte foi profundo, especulei, já que eu não me sentia animado em colocar o dedo na ferida para avaliar a situação real.

A barraca começou a encher de água. Quando bati com a cabeça na cumeeira, além de abrir um rasgo nela, abri outro na lona que agora deixava a chuva entrar. A minha situação era bem desagradável. Que karma! Pensei enquanto reconstruía mentalmente os acontecimentos da noite passada e ia minando a minha mente com pensamentos negativos e de auto-compaixão, enquanto meu corpo se encharcava e tremia de frio.

Adormeci novamente encostado em cobertores e objetos amontoados no fundo do meu patético abrigo e acordei com o primeiro raio de sol ferindo os meus olhos. O dia estava lindo e não havia nuvens no céu. Saí da barraca lentamente e logo na porta fui beijado suavemente por um brisa morna que vinha da terra, o sol, apesar de baixo, já dava indícios de como seria o dia e abraçava o meu corpo maltratado pela noite fria e úmida, com sua luz cálida e alegre. Dia pra ser feliz, pensei enquanto tentava ordenar meus pensamentos, mas logo que olhei para frente, já vi a minha prancha novinha com a quilha quebrada na noite anterior. Hora de avaliar os prejuízos e pensar no que fazer, falei pra mim enquanto caminhava em direção ao meu carro que se encontrava com as portas abertas e os bancos encharcados. A ira voltou a invadir o meu peito. Respirei fundo e comecei a contabilizar. continua...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Segunda-feira maneira.

"O Surfe e o oceano são os meus santuários. Lá, longe do stress da vida quotidiana eu posso refletir. Posso ser tudo ou nada sobre a água. Ela me ajuda a colocar as coisas em perspectiva sempreque estou pra baixo. Posso entrar irritado e sair calmo. Posso entrar feliz e sair mais feliz. Eu amo o mar. Eu adoro surfar. É o máximo... Desejo-vos Paz e Altas Ondas! "

James E. Leonen (surfista, waterman, baixista para a banda Jumpship)

quinta-feira, 6 de março de 2008

CANDICE - capítulo 06


Leia os capítulos anteriores - Quando o instinto falou mais alto, Candice (minha namorada adolescente que falei antes) e eu, deitamos ali mesmo na beira da praia. Aconchegamo-nos na areia morna abraçados pelo calor do sol. A água ia e vinha lambendo nossos pés enquanto compartilhávamos o cheiro e o calor dos nossos corpos em movimentos ritmados circulares e deslizantes facilitados pelo suor. Os lábios úmidos, hora tocavam-se suavemente, hora queriam engolir-se. Respirávamos centenas de finas e inusitadas sensações banhados por uma suave e oscilante onda de prazer. Nossas mãos exploravam e a minha tentava desfazer em vão o tope do seu sutiã enquanto ela puxava meu calção que teimava em não ceder. Não existia mais razão ou pensamento, apenas a sensação de BOM!.. BOM!... BOM!... Fugaz alegria de ser criança e animal na inocência do sexo.

Diante de nós surgiu seu pai, furioso, apontando um crucifixo enorme na minha direção.
Meu olhar fixou-se na aura da cruz que brilhava. O mar avançou sobre nós e quando recuou, abriu-se uma enorme cratera abaixo dos nossos corpos. Candice, despencou no buraco e com ela todos os meus pertences, minha prancha, minhas roupas, tudo que eu tinha na vida sumiu na escuridão. Fiquei pensando porque eu não tinha caído junto. Movendo a cabeça para cima, meu olhar se encontrou com o de seu pai que segurava o meu braço enquanto eu balançava no abismo. Ele já não parecia furioso, pelo contrário, estava visivelmente preocupado com a minha situação naquele momento. Minha vida estava literalmente na sua mão e se ele me soltasse eu seria literalmente abduzido pelo buraco. Mas não foi o que ele fez. Jogou o crucifixo no abismo, que caiu iluminando o vazio e me puxou pra fora da cratera de uma só vez. No momento seguinte ele apontava para uma ilha querendo me dizer algo quando alguma coisa explodiu... KAKABOOOOOOM!! Um enorme trovão me tirou abruptamente de dentro do sonho. Acordei assustado sem saber muito bem onde eu estava...estava, fiquei de pé de uma só vez e entortei a cumeeira da barraca e com a cabeça. Continua...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Segunda-feira maneira.

“Não existem ondas ruins, apenas uma atitude equivocada e
a escolha de equipamento errado!”
MICKEY MUÑOZ