quarta-feira, 28 de maio de 2008

CANDICE - capítulo 16


Abri numa página marcada.

Já nas primeiras linhas dava para perceber que se tratava de algum tipo de diário. O diário de Candice.


20/05/2007


Amanhã vamos à Wavetoon. Vai ser arriscado depois da merda que fizemos por lá e ainda por cima com toda a polícia atrás de nós. Sei lá...Mas valerá o risco. Fazem dois meses que eu não vejo ninguém além da Margô, que por sinal anda muito chata. É inevitável, eu também devo estar um saco, afinal duas mulheres convivendo solitárias numa ilhota perdida sem nada pra fazer...
A Margô tem me cantado insistentemente, ela se insinua todo o dia, acho que movida por esta solidão e pela imensidão do mar aí na frente, que faz parecer que só nós duas existimos no mundo. Infelizmente eu não tenho nenhuma atração por garotas. Ela me diz que também não curte, mas que poderíamos experimentar uma noite de amor, que talvez seja legal, pois provavelmente teremos que ficar por muito tempo escondidas nesta ilha. Um monte de argumentos pra me convencer, ela está realmente afim. Sei não...
O que me mantém viva nessa ilha e me faz suportar este exílio compulsório é o surf que rola por aqui. Esta onda aí a frente tem me feito passar os dias em êxtase e a Ponta Sul quando quebra...UAU!!! É o paraíso. A Margô deveria surfar. O surf faz a gente se conectar, achar o centro, mas confesso que há noites em que as suas propostas me balançam...
Essa ida à Wavetoon será providencial, pegar comida para mais alguns meses (Acabou. Só restou um feijão cheio de gorgulho que acabei de colocar no fogo mas acho que não terei coragem de comer), algumas roupas, objetos e livros (quero aproveitar todo este tempo)... Lá teremos que ser muito discretas e rápidas, não vou nem poder falar com a minha mãe. Ela deve estar preocupada e com muita vergonha do que fiz. Depois do assalto tivemos que sumir rapidamente, sem deixar rastros e não tenho como avisá-la. Acho que a polícia deve ter grampeado seu telefone.
Ter esquecido meu celular dentro do banco foi um vacilo imperdoável, deu a eles todos os meus contatos, todos os meus amigos. Será muito arriscado tentar falar com qualquer pessoa que eu conheça. Mamãe terá que agüentar. A Margô está me chamando lá da praia. Parece que o nosso barco está pronto. Tenho que ir!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Segunda-feira maneira.

"Esperando uma onda, sentado lá fora entre as séries, maus pensamentos, pensamentos obsessivos virão à tona, mas enquanto estou surfando, enquanto estou de pé e procurando pelo ritmo, não importa quão horrível tenha sido meu dia ,que eu tenho minha mente limpa e clara e por isso mesmo tranqüila. Eu nunca, jamais tive um pensamento bom, mau ou indiferente enquanto estava surfando uma onda. Alguns dias eu realmente necessito disso, deste vácuo, desta pureza."
Alan Weisbecker (surfista, escritor autor de Banditos Cósmicos e In search of Capitain Zero )

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Segunda-feira maneira.

Manhã de segunda-feira!
Quanta esperança para a semana que inicia.
A mesa esta limpa para novos projetos,
novos relacionamentos, e também para o surf.
Minha manhã favorita.
John Severson (surfista, artista, fundador da Surfer Magazine)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

CANDICE capitulo 15

Leia os capítulos anteriores Só depois da fantástica refeição, recostado na cadeira e com os pés sobre a mesa, parei para observar aquela casinha. A tarde já ia pela metade e uma luz amarelada invadia o interior ressaltando as cores e as texturas, transformando aquele ambiente simples num cenário plástico e bucólico. Fui passando os olhos pelo espaço, me detendo hora aqui hora ali, olhando para detalhas que geralmente não prestamos atenção quando estamos familiarizados com um lugar. Apesar de simpática a casa parecia meio detonada. Se tem algo que realmente me incomoda, são coisas quebradas ou mal cuidadas.

Saí caminhando pelos cômodos na procura das minhas coisas, dando uma geral na casa, entretanto eu não podia deixar de observar a quantidade de coisas que necessitavam manutenção e conserto. Fui sendo tomado por um sentimento de posse e comecei estranhamente a me sentir em casa por ali, fazendo planos mentalmente, para iniciar a manutenção. Fuçando no quarto, embaixo de uma das camas, encontrei todas as minhas coisas dentro de uma sacola. Minha carteira, chaves, neoprenes enfim tudo que eu podia lembrar estava ali. HUHUUUUU!!! Fiquei amarradão e comecei a urrar de alegria, coisa eu deixou o Rato bem assustado. O cachorro saiu correndo pela porta e foi em direção à rua.

CONSEGUI! Parece que a minha missão por aqui está concluída! Foi o que pensei, já me preparando para ir embora. Planejava pegar o bote das garotas que estava na praia pela qual cheguei ali e cair fora rapidamente. Fui me dirigindo à porta da rua, quando me deparei com um caderno que chamou minha atenção sobre um aparador embaixo da janela. Não consegui conter minha curiosidade, ali mesmo de pé, comecei a ler...continua

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Raica na Ehlas.

Não deixe de conferir a mais nova edição da revista EHLAS. Muito legal, tá show! Nossa mais talentosa fotógrafa e surfista Raica, também participa assinando uma coluna. A revista é direcionada principalmente ao público feminino e assim a partir desta segunda edição Raica estará sempre por lá, contando histórias, dando dicas de surf e falando sobre qualquer assunto que as leitoras sugerirem através do e-mail raica@ehlas.com.br.
Escreva para ela!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

CANDICE - capítulo 14

Leia os capítulos anteriores - Não lembro de ter surfado uma quantidade maior de ondas em toda a minha vida numa mesma caída. Clássicas, uma após a outra, elas quebravam solitárias para o meu êxtase. Sem ninguém para compartilhar, eu não sabia o que fazer com tanta onda. No início era um carrossel, eu ia e voltava inebriado com a perfeição, chegava no pico virava a prancha e dropava a primeira que se apresentava. Passado algum tempo comecei a escolher as melhores e no fim de uma hora não conseguia pegar mais nenhuma, o jejum compulsivo havia me deixado totalmente sem energia.

Saí do mar acabado, para a alegria do Rato que veio ao meu encontro fazendo a maior festa, mas a minha cabeça e a minha barriga só pensavam na feijoada que eu tinha encontrado sobre o fogão. Saciado pelo surf de alto nível fui aos poucos voltando a conectar-me com a realidade do meu entorno. Um tipo de percepção diferente me trazia para o momento presente. Enquanto caminhava meio zonzo em direção a casa, o Rato me cutucava por todos os lados fazendo sempre questão de marcar sua presença. Comecei a olhar com atenção para ele, para a sua alegria, para aquele lugar maravilhoso, para aquela casa na minha frente e fui tomando consciência da situação surreal na qual eu me encontrava, como se estivesse saindo de um estado onírico e acordando em lugar desconhecido. Fiquei lembrando da noite anterior, do assalto, e de todo o trabalho pra chegar até ali e tentar resgatar as minhas coisas. Logo, a imagem daquelas garotas que eu nem mesmo havia visto o rosto, entraram no meu fluxo de pensamentos.

As Garotas! Lembrei delas.
Onde estariam as garotas? Que maluco deixaria uma panela no fogo e desapareceria?
Uma situação bem estranha.
Minha barriga roncou me trazendo novamente para momento presente. Parei no degrau da soleira e olhei para o mar. Uma série irretocável quebrou solitária no canto do morro. O sol morno abraçava o meu corpo e o meu espírito estava em paz.
Fodam-se as garotas! Pensei.
Colhi umas bananas na lateral da casa, entrei, preparei um arroz e comi a melhor feijoada da minha vida. continua...


segunda-feira, 5 de maio de 2008

Segunda-feira maneira.

"Nascidas nas tempestades em mar aberto, as ondas não têm inícios fáceis. São selvagens de nascimento. Através da disciplina do vento e da gravidade, elas transformam-se em ondulações ritmadas, de altura uniforme, contendo o poder da tempestade que as gerou e como elas, viajam milhares de quilômetros à costas distantes. Quando o swell entra na praia, em seu último e dramático momento, exibe seu poder e beleza despejando a crista sobre si mesmo, cumprindo seu destino. E é aqui, nos momentos derradeiros de toda esta poderosa energia das tempestades que o surfista conecta-se com a onda, usando-a para expressar a si próprio como um pintor usando a tela ou um bailarino usando o palco. E aqui, entre o vento e a água, o homem realiza seu intenso dueto com o mar.”
Mickey Munoz (surf legend)

sábado, 3 de maio de 2008

GANHE UM LIVRO WAVETOON!

Promoção de aniversário do blog.

As pessoas que responderem corretamente a pergunta abaixo, concorrem a 05 livros Wavetoon - a cultura surf em quadrinhos cada uma.
Quais são os nomes das cinco histórias do livro Wavetoon?

As respostas certas estão aqui no blog, é só procurar. Os participantes* devem enviar as respostas para contato@wavetoon.com.br - com o título “Promoção Wavetoon”. Entre os que acertarem a resposta serão sorteados 5 livros.
Os ganhadores serão informados por e-mail, e, após fornecerem seu endereço postal, o livro Wavetoon lhes será enviado de presente, sem custos.
Os e-mails com as respostas deverão ser enviados até o dia 20/05/2008. No dia seguinte a essa data, serão publicados os nomes dos ganhadores aqui no blog Wavetoon.
* Promoção válida somente dentro do Brasil.