sábado, 30 de junho de 2007

sexta-feira, 29 de junho de 2007

10. El Faro – história dos surf em Wavetoon - 1959

Acampados no outro lado do rio.

Parte 9... Foi um dia épico! Os três saíram exaustos d’água. No peito, um sentimento de êxtase jamais experimentado. A notícia espalhou-se. El Faro passou a ser freqüentado pelos surfistas mais experientes. O que era uma trilha para chegar até lá, logo virou um caminho e em pouco tempo uma estrada de terra. Mas, como tudo que é muito bom, às vezes é difícil, para se chegar até lá, naquela época, era necessário cruzar pelas terras do Urtigão. O cara, dono de todas as terras que ficavam entre a Praia dos Amores e a Praia do Forte, estava definitivamente de mal com a vida. Não tolerava estranhos dentro da sua propriedade. Assim, quando ia a caminho do pico, muitas vezes a galera era corrida à bala por seus homens. Ir até El Faro naquele tempo, passou a ser, além de uma promessa de pegar altas ondas, uma aventura perigosa e emocionante, uma brincadeira de gato e rato onde os surfistas eram os ratos. O preço daquelas incursões era a eterna vigilância, mas com tempo, a galera foi pegando a manha e descobrindo alternativas de chegar à praia sem serem vistos. A onda era tão boa, que alguns ficavam acampados por lá durante semanas. Esses caras, talvez pela cumplicidade desenvolvida naquele isolamento voluntário, começaram a criar uma cultura própria, um jeito diferente de vestir, falar, agir e surfar. Não demorou para que os outros começassem a imitá-los. Logo, todos que estavam envolvidos com o surf de alguma maneira, passaram a habitar o lugar. El Faro destinava-se a ser o palco central para a nova ala criativa do surf em Wavetoon. Vito e Lobo, percebendo tudo que estava por vir devido a qualidade daquela onda, trataram de achar uma maneira de ficar a maior parte do tempo por ali. Descobriram que o faroleiro estava se demitindo, e que não havia candidatos disponíveis. Vito numa tacada de mestre, ofereceu-se para o cargo, contanto que pudesse explorar um pequeno restaurante na construção ao lado do farol. O pessoal da Marinha sem alternativas, acabou lhe contratando. E foi assim que, em sociedade com o Lobo, fundou a Cantina El Faro...segue

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Amanhecer em El Faro - cenas do álbum n° 1

O álbum n°1 de Wavetoon está pronto, contando histórias reais acontecidas por aqui, das quais algumas eu participei. Está apenas aguardando o fechamento dos patrocínios para ser publicado. Fui liberado para mostrar algumas cenas que vão rolar por lá.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Aloha Surf Shop

Neste banco já sentaram muitas lendas do surf local.

Vou falar aqui, desta pequena surf shop de Wavetoon. Ela foi a primeira e está lá até hoje, resistindo bravamente o passar dos anos. Há três décadas atrás não existia este tipo de negócio por aqui e o Homero tinha uma visão. Ele teve que trabalhar muito para conseguir colocá-la sobre o Píer da Praia Grande, pois sabia que lá seria o lugar ideal.
O píer havia sido construído há poucos anos, no meio da praia, num lugar que ninguém freqüentava, mas os pilares acabaram tornando aquele pedaço de areia num excelente local de surf. Assim era natural que Homero fosse à luta para tentar realizar seu sonho. Deu certo. Numa época em que as informações eram poucas, a loja transformou-se numa espécie de reduto da galera. Todo mundo ia pra lá depois da escola ou do surf. A Aloha era um poderoso atrator, e àquela casinha sobre o píer passou a ser o nosso clube e o nosso templo. Tudo que sonhávamos naquela época, encontrava-se dentro dela, apresentado de uma forma lúdica e sedutora. Suas paredes revestidas com pranchas e posters, mostravam-nos as possibilidades. Os vidros, cobertos com adesivos de marcas pioneiras, míticas, construídas não por um empreendedor qualquer, mas por um apaixonado, criava-nos um imaginário, uma coleção de referências. As revistas, raras na época, nos faziam sonhar com lugares distantes, mágicos. Despertavam nossa natureza nômade. O cheiro dos neoprenes e das parafinas de morango, aromatizavam o lugar. É lá que a gente se reunia e passava a maior parte do tempo quando não tinham ondas, trocando informações, sonhando e vadiando. Éramos groomets recém viciados pelo surf. Hoje, a Aloha tem lojas em outros lugares, mas esta primeira, ainda continua sendo um grande fetiche para todos nós. Não é difícil passar por lá num fim de tarde e encontrar diversas gerações confraternizando, dando risada e ouvindo as antológicas histórias do Homero.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Tiburones

As famosas direitas da bancada da ponta da Ilha Grande.
Durante um enorme swell de sul, em julho de 1976, quase todas as praias fechavam ou estavam sem condições. Don Vito levou alguns gringos de uma revista estrangeira que visitavam Wavetoon, para explorarem o então pouco conhecido sul da ilha. Buscavam aventuras e ondas perfeitas. Enquanto conferiam Espectro Point, um dos gringos resolveu escalar o canto do morro. Lá de cima, avistou ao longe uma direita quilométrica que rolava na borda da Ilha Grande. Excitados com a visão, saíram como loucos a procura de um barco que os levasse até lá. Voltaram ao Iate Clube e dali partiram em direção ao objetivo. Depois de uma hora navegando de lado, nas ameaçadoras e negras ondulações de sul, ancoraram bem próximo ao pico. Remaram então, em direção as pesadas direitas que contornavam o canto de pedra da ponta da ilha. O esforço foi recompensado, tiveram uma seção mágica em ondas de 10 pés. Perto do entardecer, o vento parou totalmente, o único som audível, era das enormes paredes lisas que rolavam sobre a bancada. No silencioso intervalo entra as séries, enquanto o sol tocava o horizonte, o mar se tingia de vermelho. Os cinco amigos ali sentados sobre suas pranchas, sem crer no que viam, assistiram Jack Barlow ser abocanhado por uma enorme criatura escura e desaparecer na água, diante de seus olhos. Sem nenhum murmúrio, sem nenhum grito. Tomados pelo pavor da situação insólita, e conscientes de que nada mais poderia ser feito pelo amigo, os cinco trataram de remar desesperadamente em direção ao barco, que agora parecia estar a uma distância interminável. Foi uma estréia trágica para uma onda tão boa, que passou a ser amaldiçoada e poucas vezes surfada depois desse dia. Malucos como Rica, Lambari, Halolo e Raica, conferiram algumas vezes durante o passar dos anos, aquelas bombas lendárias, batizadas de Tiburones por Don Vito. Entretanto, nunca ao entardecer e sempre com a boca seca e um constante frio na barriga.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Segunda-feira maneira.


"Surfar é sempre um equilíbrio entre diversão e frustração. Compreender este equilíbrio pode ser um atalho para a sabedoria."
Gibus de Soltrait ( surfista e editor da Surf Session Magazine)

domingo, 24 de junho de 2007

sábado, 23 de junho de 2007

sexta-feira, 22 de junho de 2007

09. A onda ideal – história dos surf em Wavetoon - 1959

Vito dropando em El Faro .
Parte 8...O resto da série, quebrou irretocavelmente igual, uma após a outra. Lobo e Tuco, que jamais tinham visto algo semelhante pareciam não acreditar. O sol lateral jogando uma luz amarela sobre a série, o céu totalmente azul, a água esverdeada deixando transparecer o fundo rochoso, que permitia a extraordinária perfeição daquelas linhas, faziam aquele cenário parecer surreal. Mas Vito sabia o que aquilo representava, conseguia avaliar todo o potencial daquelas direitas, já tinha surfado ondas semelhantes, em Rincon e Malibu, quando viveu na costa da Califórnia. Ficaram algum tempo calados, imóveis, embriagados pela cena mágica que se desenrolava diante dos seus olhos. HIIIIHAAAAAAAAAAAAAAA!!! O GRITO DE Tuco despertou-os da catarse, e eles desceram a duna correndo em direção ao mar. Minutos depois os três remavam para o pico com um sorriso rasgado no rosto. Tuco pegou a primeira, foi necessário apenas virar a prancha e dar duas remadas rápidas. Com o joelho de trás flexionado, desceu reto e completou o drop com uma cavada forte, colocando a prancha na parede da onda. A sua frente abriu-se uma longa pista em movimento, na qual ele, com o corpo ereto e totalmente relaxado, só fez pequenos ajustes com os pés, para ir deslizando por mais de duzentos metros. Os outros vieram atrás em ondas incrivelmente iguais. Durante aquelas três horas, poucas vezes encontraram-se na arrebentação. As séries, chegavam em intervalos pequenos e era impossível recusar uma delas, tanto pela facilidade de entrar na onda, quanto pela plasticidade daquele cenário em movimento. A cada onda eles descobriam novas possibilidades, deslocando um pé, mudando o centro de gravidade, inclinando o corpo para frente ou para trás. Novas abordagens foram surgindo, todo o movimento testado tinha uma nova resposta da prancha, as ondas estavam tão perfeitas que permitiam errar sem maiores conseqüências. As Malibu Chips estavam sendo testadas na condição perfeita, eles descobriram a onda ideal para elas...segue

quinta-feira, 21 de junho de 2007

DIA INTERNACIONAL DO SURF

O CPC* e a Surfrider Foundation hoje, em ação no canto esquerdo da Praia da Fazendinha no International Surfing Day.
*(centro de proteção a costa de Wavetoon)

Está sempre procurando de uma desculpa para ir surfar? Bem, hoje, dia 21 de junho, você finalmente terá uma boa: INTERNACIONAL SURFING DAY. Criado pela Surfing Magazine, este feriado não oficial dos surfistas oficiais dá-nos a possibilidade de promover e comemorar o esporte ao trazer a consciência o estado de nossos oceanos e praias.

O objetivo é simples: pegue este dia, ou pelo menos parte dele, vai lá e pegue algumas ondas e enquanto estiver fazendo isso, ajude a limpar sua praia favorita. Em conjunto com a Surffrider Foundation estamos organizando algumas limpezas oficiais em praias, mas você pode manter o seu pedaço de areia limpo todos os dias.

Enquanto isso nós esperamos documentar este "DIA UNIVERSAL DA FISSURA" tão completamente quanto possível. Não contando apenas com nossa legião de fotógrafos em volta do mundo, mas dependendo principalmente de VOCÊ para mostrar-nos como isso aconteceu no seu quintal. Envie seu e-mail nos contando com palavras e fotos para o INTERNACIONAL SURFING DAY.

Surf na Pedra do Pirata - cenas do álbum n° 1

O álbum n°1 de Wavetoon está pronto, contando histórias reais acontecidas por aqui, das quais algumas eu participei. Está apenas aguardando o fechamento dos patrocínios para ser publicado. Fui liberado para mostrar algumas cenas que vão rolar por lá.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Halolo

Nascido em Wavetoon, mas com DNA 100% havaiano, Halolo, filho do grande U’Paka, e de Rell, tem o surf na veia. Começou a praticar com três anos de idade no bico da prancha de seu pai e nunca mais afastou-se da praia. Com as viagens constantes de sua família ao Hawaii, nos anos 70 e 80, acabou convivendo com grandes surfistas amigos de seus pais. Apesar de muito mais moço ficou amigão de caras como Gerry Lopez, Buttons e dos irmãos Ho. Com eles, poliu seu estilo e sua técnica. Seguindo a tradição da família, sempre que volta do Hawaii trás presentes e novidades para os amigos, espalhando por aqui o espírito Aloha. Halolo e seu pai, tiveram uma grande influência no desenvolvimento do surf por aqui. Foram eles que introduziram as biquilhas e as Triquilhas em Wavetoon, mudando radicalmente nossa percepção do surf e das manobras. Vive próximo da minha casa em São Sete e é o meu grande parceiro quando a Laje do Maluco começa a funcionar. Halolo é arquiteto e seu atelier é especializado em arquitetura sustentável. Trabalha na investigação do uso de materiais recicláveis e técnicas alternativas para construção que não agridam o meio-ambiente. Suas casas são famosas aqui em Wavetoon e no Hawaii, onde também atua. Além de muito bonitas, valorizam nossos aspectos culturais, tem maior eficiência econômica, e menor impacto ambiental. Adivinha quem fez a minha?

terça-feira, 19 de junho de 2007

Uaiquiqui e Iate Club

Vista aérea do Iate Club e de Uaiquiqui. Abaixo U'Paka na onda do Iate Club.

Quando, no início dos anos 60 U’Paka Halolo chegou a Wavetoon, a onda que quebra na ponta do Iate Clube ainda era desconhecida. Por ser um waterman, U’Paka logo começou a explorar a ilha em busca de ondas e aventuras náuticas. Na sua primeira saída de barco, que partiu do clube náutico, deparou-se com uma onda que imediatamente lembrou sua infância. Quando um grande swell de leste entra na Praia Grande, parte da ondulação é filtrada e desviada pela ilha Bela Luna na direção do canto direito. Esta ondulação, vai direto para o banco de areia formado entre o molhe e o canal do Iate Clube. Elas vem em linhas perfeitas e cheias, que escorregam para a direita, lembrando a famosa onda Havaiana chamada Waikiki. Naquele dia U’Paka batizou o pico e já ficou por ali mesmo, tentando lembrar de casa, num ato nostálgico. Uaiquiqui, como passou a ser chamada pelos nativos, é uma onda fácil, pura diversão, não fecha nunca e proporciona um longo passeio até o canal. Fez muito sucesso nos anos 60 e hoje é a alegria de quem está aprendendo ou quer aprimorar manobras clássicas num longboard. Em dias enormes, passa pelo canal e vai quebrar no canto direito da praia grande onde a onda é chamada de Iate Clube. Pena que raramente quebre.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Segunda-feira maneira.

"Nós surfamos por prazer. Reme para fora, limpe sua mente e divirta-se!"
Garret MacNamara (big rider)

domingo, 17 de junho de 2007

sábado, 16 de junho de 2007

sexta-feira, 15 de junho de 2007

08. A descoberta de El Faro - década de 50

Parte7… Num dia qualquer pela manhã, como sempre ocorria quando o mar estava bom, Lobo e Tuco, caminhavam lado a lado, com suas pranchas sob o braço, em direção à Praia Grande. Atravessaram a poeirenta Beira-Mar, e pararam sobre a calçada recém construída junto à areia. Enquanto olhavam para a arrebentação, Vito estacionou a furgoneta e juntou-se a eles. A cena que observavam era meio desanimadora. Vários garotos, com suas Madeirites, tentavam aprender a deslizar nas perfeitas e pequenas ondulações verdes que quebravam no line up. Tuco olhou para eles e desferiu uma frase mágica – Porque a gente não vai para outro lugar? - Sempre ouvi dizer que no Farol o mar é bem forte, talvez existam boas ondas por lá! Os olhares se cruzaram e um sorriso tomou conta do rosto de cada um deles. Nunca tinham pensado naquela possibilidade. Os caras não conheciam muita coisa além da Praia Grande, e a Praia das Pombas onde tudo começou, era só uma lembrança. A dificuldade de carregar as pranchas (não tinham carros) e o desempenho delas até então, não exigiam nada melhor do que as ondas da Praia Grande, talvez por isso, nunca cogitaram ir a outros lugares até aquele dia. E foi assim que aconteceu a primeira barca na história de Wavetoon. Logo eles estavam na estrada, ou melhor, num caminho, pois para o norte, naquela época, não existiam estradas, apenas trilhas de carroças e picadas abertas a facão. Rumo ao desconhecido, e excitados com a possibilidade de novos achados, eles foram contornando a costa da ilha, por caminhos sinuosos, descobrindo recantos e lugares lindos, que estavam tão perto, e que eles jamais cogitaram. Cruzaram toda a baía que liga a Praia dos Amores ao cabo do Farol. Ao se aproximarem do seu objetivo final, tiveram que parar. Dali para frente, a furgoneta do Vito ou qualquer outro carro, jamais conseguiria passar. A ponta da torre branca do farol estava logo ali, quase ao alcance da mão, mas entre ela e os rapazes havia uma duna enorme. Movidos pelo instinto que atrai qualquer surfista em direção ao mar, eles saltaram do carro e começaram a subir correndo a enorme montanha de areia. Os três carregavam consigo, a intuição que por trás daquele obstáculo estaria o paraíso. Cada passo pesado contra a gravidade, naquele solo movediço, aumentava a expectativa. O coração pulava no peito e o ar começava a faltar. O primeiro a chegar ao topo foi Vito. Ofegante e exausto e apontando para o mar, com seu último alento conseguiu gritar em espanhol antes de cair sentado na areia -MIRA...EN EL FARO!!! Nesse momento Tuco e Lobo também chegavam ao topo, e olhando na direção do farol não acreditaram no que viam... Uma série de linhas paralelas, moviam- se ordenadamente em direção a ponta do farol, a primeira delas tocada de leve pela brisa da terra, despejou a crista para frente, fazendo-a correr pra a esquerda em relação aos garotos, de uma maneira tão perfeita que parecia ser puxada por um fio...pela mão de uma entidade invisível...segue


quinta-feira, 14 de junho de 2007

E agora...o quê fazer ???

O álbum n°1 de Wavetoon está pronto, contando histórias reais acontecidas por aqui, das quais algumas eu participei. Está apenas aguardando o fechamento dos patrocínios para ser publicado. Fui liberado para mostrar algumas cenas das histórias que vão rolar por lá.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Tuco - Legends

Tuco em hang-ten no quintal de casa (Iate Club clássico) e abaixo com seu amigo Vito.


Lenda viva, Túlio Colassanti ou Tuco, como sempre foi conhecido por aqui, ainda chama a atenção de todos quando está na água. Não só pelo seu estilo refinado, mas pela simpatia e inteligência. Este cara é um dos quatro pilares do surf em Wavetoon. Junto com Lobo, Boca e Rica descobriu a Alaia na gruta nos anos 40, e tornou-se um dos pioneiros e maiores incentivadores das novas gerações. Depois do forte episódio vivido em 1966, em que Lobo perdeu a vida quando ambos tentavam surfar Mustang’s, Tuco retirou-se inconsolado pela morte de seu grande amigo. Não se perdoava por ter concordado com a aventura, sentia-se culpado por não ter conseguido ajudá-lo, abrigava no peito insólitos sentimentos de dor, amargura e arrependimento, que levaram dez anos para acalmar. Durante este período, isolou-se numa cabana na Praia da Fazendinha em meio a livros e pranchas. Quando, no meio dos anos 70 conheceu Hanna, sua compaheira até hoje, Tuco gradativamente começou a retomar sua vida. Foi ressurgindo para o convívio de todos, os antigos amigos, o trabalho e a vida social...com uma cicatriz sim, mas também, com uma força muito grande ancorada no seu espírito. Quem vê hoje, este velhinho feliz brincando com todo mundo, não consegue imaginar que um dia foi uma pessoa tristonha e esquiva. Atualmente, vive com sua amada Hanna no canto sul da Praia Grande, e ninguém, ninguém mesmo por aqui consegue imaginar o Iate Clube ou Uaiquiqui quebrando, sem a figurinha carimbada do Tuco na linha da arrebentação.

terça-feira, 12 de junho de 2007

O Pontão dos Rastas

Vista aérea do Pontào num dia clássico.
Numa noite gelada no início do século XVIII, um navio de piratas carregado com escravos jamaicanos roubados de um galeão Inglês, naufragou quando bateu no recife conhecido por Laje do Maluco. Os Piratas, na ânsia de salvar a sua carga, tiveram que libertá-la. E assim, nessa manobra arriscada, os que não desapareceram no mar, perderam a vida nas mãos de seus prisioneiros. Os escravos, levados pela corrente de sul, foram parar numa praia de ondas enormes e violentas. Acabaram estabelecendo-se ali, devido à beleza do lugar e por se sentirem protegidos pelas grutas daquela enorme ponta de mato e rocha. Seus descendentes estão lá até hoje e criaram um reduto da excêntrica culinária Jamaicana. Três séculos de dominação inglesa na Jamaica, asseguraram o sabor dos bolos de frutas, das carnes estufadas de carneiros e das geléias de pimenta e gengibre. Os indianos, contratados pelos ingleses, para trabalhar nas novas culturas (Jamaica) embarcaram com a magia da mistura de várias especiarias. Assim vocês podem ter uma idéia do que rola por lá hoje em dia; um reduto de rastafaris especialistas em culinária jamaicana. Este é um pequeno resumo da história do“Pontão dos Rastas”, como passou a ser conhecida pela galera, esta linda baía no sul de Wavetoon. Quando a ondulação está de sul e vento vira para nordeste, pode ir para o Pontão que estará clássico, sem chance de errar. Se você tiver coragem de saltar na guilhotina, vai surfar esquerdas e direitas tubulares, perfeitas e pesadas. Depois de passar por essa experiência, nada melhor que comer um carneiro ao curry no restaurante do meu amigo Hailé, que apesar de vegetariano proporciona estas surpresas para os amigos. Após o banquete, é relaxar e dar boas gargalhadas degustando suas ervas aromáticas com os pés sobre a mesa.
Momento de descontração no restaurante do Hailé (sentado no guarda-corpo)

O Hailé, me abriu a receita do famoso Carneiro ao Curry e convida-os a frequentar o lugar. Manjar dos deuses!!! Vale a pena conferir.

Segue aí o presente do Hailé!!!

Ingredientes

- 500 gr de carneiro em cubos médios

- 3 colher(es) (sopa) de óleo de soja

- 1 unidade(s) de cebola picada(s)

- 1 dente(s) de alho picado(s)

- 2 colher(es) (chá) de gengibre picado(s)

- 2 colher(es) (chá) de curry em pó

- 1 colher(es) (sopa) de pimenta dedo-de-moça picada(s), sem semente(s)

- 2 unidade(s) de cardamomo

- 2 colher(es) (sopa) de côco ralado(s)

- 1 xícara(s) (chá) de extrato de tomates

- 2 xícara(s) (chá) de água

- 1 colher(es) (sopa) de coentro picado(s)

- quanto baste de sal

Preparação: Aqueça uma panela de pressão e acrescente o óleo. Sele o carneiro e reserve. Refogue a cebola na mesma panela. Quando estiver ligeiramente dourada acrescente o alho, o gengibre, a pimenta, o côco ralado e mexa bem. Volte a carne para a panela, acrescente o extrato de tomate, o curry, o cardamomo e a água. Tempere com um pouco de sal, feche a panela e deixe cozinhar por 45 minutos. Sirva acompanhado de arroz jasmim ou arroz branco.- Se você não tiver uma panela de pressão você deve cozinhar em fogo baixo por 3 horas, acrescentando água se necessário.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Segunda-feira maneira.


"Quem é que precisa de razões quando se tem ondas?"
Mark Renton ( Citado por Manuel Castro no blog português Ondas)

sábado, 9 de junho de 2007

sexta-feira, 8 de junho de 2007

07. Uma tribo começa a se formar - história do surf em Wavetoon - década de 50

Parte6… Aquela prancha foi uma revolução. Lobo passou um mês trancado com ela na oficina. Tuco se empenhou em ir atrás dos novos materiais, balsa, resina, coisas quase impossíveis de encontrar por aqui nessa época... Vito só pensava em Vitória, e a galera em surfar com a novidade trazida por ele. As “Malibu Chips”, eram mais leves e fáceis de construir do que as pranchas ocas usadas pelos pioneiros, e assim, logo começaram a sair várias da oficina do Lobo. Esta mudança na tecnologia foi a semente para o nascimento da segunda geração de surfistas de Wavetoon. Agora tinha ficado um pouco mais fácil ter uma prancha. Alguns garotos mais curiosos logo descobriram novas manobras além daquelas trazidas por Vito, e agora, surfar na parede da onda, fazer um botton turn ou um cut-back eram abordagens possíveis e começaram a ser imitadas por todos. Sempre que um garoto qualquer, passeando pela Praia Grande, visse pela primeira vez, Lobo ou algum de seus amigos pegando uma onda, imediatamente acontecia algo dentro dele, que o impedia dali para frente de deixar de pensar e desejar aquela nova forma de prazer ainda desconhecido. E foi assim que, de boca em boca, a notícia de que algo novo estava acontecendo, espalhou-se entre os garotos mais ligados de Wavetoon, e novos deles começaram aparecer na praia, vindos de todos os cantos da cidade. Lobo não conseguia mais dar conta das encomendas, mesmo que aquelas pranchas fossem mais fáceis de construir, o material era escasso e caro. Assim aquilo era acessível apenas para poucos. Mas os grumetes não se intimidaram com as limitações, e colocaram a criatividade para funcionar. Logo começaram a surgir pranchas improvisadas com compensado de madeira, que eles chamavam de Madeirite. Aquilo poderia parecer uma involução para os que já tinham uma “Malibu Chip”, mas na realidade era a evolução de um grupo especial, de uma tribo carismática que começava a se formar por aqui...segue

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Essa aí foi casca!!!


O álbum n°1 de Wavetoon está pronto, contando histórias reais acontecidas por aqui, das quais algumas eu participei. Está apenas aguardando o fechamento dos patrocínios para ser publicado. Fui liberado para mostrar algumas cenas das histórias que vão rolar por lá. De vez em quando vou estar publicando algumas aqui no blog.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Jeff

Este gringo simpático, chamado John Jefferson, ou Jeff como é conhecido por todos, veio parar em Wavetoon, atrás de uma gata que conheceu no North Shore, e que não lhe saía da cabeça. Chegou como quem não quer nada, fingindo que não era por causa dela que estava aqui, mas...quando encontrou a garota novamente, não teve como resistir e prolongou sua estadia. No fim de tudo, nem está mais com ela, mas se apaixonou por Wavetoon e acabou ficando na terrinha. Logo foi adotado pela galera. O Jeff nasceu em Lunada bay, Califórnia, e com quatro anos mudo-se com os pais para Honolulu. Lá aprendeu as artes do mar, tornou-se um verdadeiro waterman e foi iniciado na carpintaria naval. Aqui em Wavetoon, trabalha à tarde numa fábrica de barcos na zona portuária e pela manhã, como salva-vidas na guarita do Píer da Praia Grande.

terça-feira, 5 de junho de 2007

A Falésia do Graal

Visão que se tem ao chegar ao lugar de carro.

Quem se aproxima, por ar, por terra, ou por mar, da falésia do Graal, não consegue ficar indiferente ao ruído e a beleza do lugar. É uma cena de tirar o fôlego! Sobre ela, deságua o Rio Dabusca em várias cachoeiras que despencam sobre o oceano. É um espetáculo único na terra, e um surf spot jamais visto. Além de coragem para surfar por lá, tem que conhecer bem o lugar. As ondas, quando em condições ideais, são extremamente perfeitas, mas exigem atenção máxima. A colocação é fundamental, pois há seções em que o surfista terá que passar entre a parede da onda e as quedas da água. Um erro pode fazer a diversão virar pesadelo. Fica ao norte de Wavetoon numa região de falésias. Uma delas, corroída por séculos de erosão, transformou-se na forma de um enorme cálice, batizado de Graal não se sabe por quem. A melhor maneira de chegar lá, é de barco. Quem for de carro, terá inevitavelmente, que se atirar da falésia se quiser pegar as ondas. É um verdadeiro rito de passagem que muitos não conseguem realizar. Mas quem saltar de lá num dia clássico, e pegar aquelas ondas,...bem... nunca mais será a mesma pessoa.

domingo, 3 de junho de 2007

sábado, 2 de junho de 2007

sexta-feira, 1 de junho de 2007

06.A Malibu Chips - história do surf em Wavetoon - década de 50


Parte5... Aquele gringo, sorridente e gozador, logo cativou a simpatia do grupo. Tinha histórias pra contar. Havia morado e aprendido a surfar na Califórnia do pós-guerra, freqüentado lugares como San Onofre e Malibu, conhecido caras como Tom Zahn e Joe Quigg. Antes de chegar em Wavetoon, havia estado também no Brasil, junto com os pioneiros de lá, Paulo Preguiça, Arduíno Colassanti e Irencyr Beltrão. Além disso, tinha viajado por muitos lugares, e surfado sozinho muitas ondas. Era a primeira vez que os pioneiros daqui, tinham contato com um surfista de fora. Tudo que eles sabiam e fizeram em relação ao surf até aquele dia, foi com um mínimo de informação e total intuição e atitude. Vito começava a apresentar-lhes um mundo totalmente novo, a começar por sua prancha. Feita de uma madeira muito mais leve, com um design totalmente diferente e revestida, com uma resina transparente. Aquilo era uma visão nunca antes sonhada. O que mais chamou atenção de todos, entretanto, foi àquela barbatana na parte de baixo da prancha. Vito disse que aquilo se chamava quilha. Tuco, foi o primeiro a experimentar a prancha. Concentrados na arrebentação, o silêncio tomou conta do grupo, e assim que ele cavou e colocou a bóia na parede da onda, todos entenderam a utilidade da barbatana. Os olhares de Vito e Vitória (irmã de Lobo), cruzaram-se e o gringo sentiu, no fundo do coração, que ia acabar ficando muito tempo por aqui. Até aquele dia, o surf dos garotos se resumia a deslizar reto numa ondulação, dali pra frente tudo mudou! Continua...