terça-feira, 29 de julho de 2008

CANDICE - capítulo 20


leia os capítulos anteriores -Estava tudo lá, intocado, foi só descer e pegar. Não me demorei muito e logo voltei para o bote. Liguei o motor e segui novamente para a ilha, agora com comida suficiente, com o resto das minhas coisas e bastante tempo para procurar a grana. Quando depois de quase duas horas cheguei à casinha, preparei uma bela macarronada e adormeci exausto no pequeno sofá da sala.

Acordei assustado, com o Rato lambendo meu rosto e latindo freneticamente em direção a rua. A luz do sol nascendo lá fora tingia a sala de vermelho, e um calor agradavelmente seco, acolhia meu corpo, resfriado pelo vento noturno que invadiu a casa pela porta da frente que não me preocupei em fechar.

Saltei do sofá e o Rato imediatamente correu para rua, ficou lá, latindo e me olhando como se estivesse querendo mostrar-me algo. Saí à porta e assim que ele me viu começou a correr pela praia em direção ao canto sul. Intrigado, resolvi ir atrás dele. De tempos em tempos parava e certificava-se que eu o estava seguindo, dava uns dois ou três latidos e continuava correndo. Continuamos no trote por uns dez minutos, passamos pelo canto sul da “praia da casa” e Rato enveredou por umas trilhas no mato. Eu estava meio perdido, mas sabia que íamos, na direção do sul da ilha.

Depois de vários sobe e desce, viradas a direita e esquerda chegamos a uma trilha reta que dava no fim do mato. De dentro do túnel verde eu podia ver o horizonte e conforme ia me aproximando da clareira, linhas azuis, límpidas e paralelas atravessavam a minha visão. Hipnotizaram meu olhar. Acelerei o passo para descortinar de uma vez, aquilo que a minha imaginação já supunha.

Na panorâmica que abriu-se a minha frente, um point-break de pedras, alinhava direitas perfeitas com mais de um metro e meio sobre uma bancada rasa e perigosa.
Que bicho safado! Ele sabia que estava dando ondas e me trouxe até aqui. Não acredito!
O Rato sorria com a língua de fora e dava saltos no ar tentando chamar a atenção. Seguiu correndo na direção da ponta de pedras e continuou latindo como se tivesse algo mais a me mostrar. Eu neste momento só tinha na cabeça uma ação; buscar a minha prancha...continua

domingo, 27 de julho de 2008

Segunda-feira maneira.

“Existe apenas um tipo de sucesso – estar apto a viver a vida do seu próprio jeito.”
Christopher Morley

terça-feira, 15 de julho de 2008

Segunda-feira maneira.

Fim de tarde
Caminho até a praia
Céu nublado, uma brisa leve de Sul
Mar gelado, ondas fechantes, não muito grande
Quase ninguém por perto
Enquanto me alongo ao lado da prancha
Preocupações mundanas
Angústias humanas
Bato as palmas pra tirar a areia
Respiro fundo, fechando os olhos
PENSO ATÉ QUANDO PODEREI FAZER ISSO
O cheiro da parafina
O barulho inconfundível
Volto à Terra e me levanto
Peço a proteção e entro
Tudo parece automático
Mas nunca é igual
Não é uma queda inesquecível
Séries na cabeça, remada puxada, algumas vacas
Uma ou outra abrindo
Reflexões solitárias sentado lá atrás, esperando
Começa a escurecer
Saideira meia-boca
Tiro a cordinha e me viro para o mar
Agradeço e concluo
PIOR SERIA SE NÃO FIZESSE MAIS ISSO.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

CANDICE - capítulo 19


leia os capítulos anteriores - Sabendo através do diário, que as garotas levariam mais ou menos uma semana para ir e voltar à Wavetoon, decidi ficar por ali mesmo e tentar achar a grana roubada. “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão” disse pra mim mesmo sem muita convicção e confesso, até com um pouco de vergonha. Mas na realidade eu já estava decidido a botar a mão nessa grana e dar uma virada na minha vida.

Mesmo com a escuridão lá fora, resolvi pegar o bote inflável ir até o continente buscar a minha comida. Elas não encontraram os meus mantimentos quando me assaltaram, porque estavam dentro de um isopor embaixo do carro. Pensei em protegê-los do sol. Sorte minha, lá, eu tinha comida suficiente para ficar aqui por mais de uma semana.
Peguei as minhas coisas, e meio zonzo, com a barriga roncando, segui em direção à pequena baía virada para o continente. Enquanto caminhava pela trilha, meu amigo Rato pulava incessantemente no facho da lanterna, feliz, sorrindo e com a língua de fora. Grande figura o Rato. Sempre fico impressionado com a capacidade destes caras, de serem incondicionais, de se entregarem totalmente as situações e as pessoas, de tornarem a vida mais leve a sua volta. A gente tem muito a aprender com eles.

Chegando à prainha, coloquei minhas coisas no bote e empurrei-o até a água, chamei o Rato para dentro, puxei a corda do arranque e na primeira tentativa o ruído do motor invadiu a noite. Naquele momento, a lembrança do tubarão que me cercou quando vim para a ilha, invadiu meus pensamentos. Agarrado no leme e com um nó na barriga, acelerei rumo à escuridão do mar... segue