quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

CANDICE - capítulo 01

Eu andava há tempos querendo pegar umas ondas sozinho, parar para pensar, caçar, pescar e preparar minha própria comida. Tem alguns momentos na vida em que a gente precisa fazer isso, voltar às origens e viver um pouco que nem bicho. Uma trip em direção ao Cabo Negro parecia perfeita e por esta razão eu estava ali, acampado na beira de uma praia sem nome, sozinho, desarmado e totalmente ferrado no sono, quando a moça me acordou com um cano gelado cutucando o meu pé.

Quando eu abri os olhos, ela estava ali bem na minha frente, apontando aquele enorme cano para o meio da minha testa. Pela porta escancarada da barraca, entrava o brilho da lua ferindo a minha visão, impedindo que eu conseguisse distinguir o seu rosto. O cheiro do oceano, misturado ao maravilhoso perfume que parecia vir de seus cabelos, impregnaram minhas narinas, mantendo-me em um estado semi-onírico, mas ao mesmo tempo fazendo-me ter certeza que eu estava diante de uma mulher. A cena parecia paradoxal, não faz sentido eu pensava, enquanto tentava inutilmente sair de dentro do saco de dormir, ser assaltado por uma mulher bonita (pelo menos até ali, o cheiro que vinha dela me fazia pensar que ela era bonita).
...continua

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

No verão de 1985 um turista resolveu acampar num recife de pedra que fica em frente a São Sete, foi até lá no intuito de passar o fim de semana naquelas pedras, pescando garoupas. O cara pegou seu barquinho, colocou a barraca, o equipamento de pesca, um isopor cheio de cervejas e todo o necessário pra desfrutar de bons momentos de “isolamento”, junto aos lobos marinhos que freqüentam o local. Saiu ao entardecer e em menos de 15 minutos estava entre as rochas montando sua tenda com um sorriso nos lábios e muita paz no coração. Durante a noite o vento virou para sul. No meio da madrugada o sujeito acordou para dar uma olhada nas linhas e notou que o mar começava a passar por cima das pedras da margem e que os lobos haviam sumido. Concluiu que era hora da maré alta e que os bichos tinham saído pra se alimentar. Voltou pra cama. Ao amanhecer acordou dentro de uma máquina de lavar. Foi varrido por uma onda e não sabe até hoje como conseguiu sair de dentro da barraca. Homero, Lambari e mais alguns locais, conferiam o tão esperado swell de sul na beira da praia em São Sete, quando avistaram um náufrago agarrado num pedaço de madeira bem próximo a arrebentação, onde picos com aproximadamente 12 pés quebravam perfeitos sobre a laje. Um dos caras exclamou; MAS O QUE É QUE AQUELE MALUCO TA FAZENDO LÁ!!!! Homero pegou sua gun e junto com um dos nativos, remou trinta minutos mar a dentro para buscar o cara que já começava a ser sugado novamente para a zona de impacto. O resgate foi recompensado pela descoberta do pico. Aquela onda era considerada impossível até então, e ninguém dava muita bola para ela, pois da praia não parecia surfável. Depois daquele dia o local passou a ser conhecido por “Laje do Maluco” e freqüentado pela turma que gosta de pegar pesado no surf.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Segunda-feira maneira.

"Não desperdice o seu tempo em pé na praia da vida, tentando decidir se quer ou não surfar. Apenas vá. As ondas sempre parecem melhores quando se está dentro da água."

Mark Anders (surfista e escritor)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Vergonha!

Que vergonha!! Ontem, Lambari e eu, vimos vários caras da nossa tribo saírem da praia deixando-a cheia de lixo. Sabugos, garrafas plásticas, copos, baganas de cigarro e embalagens de parafina... É inacreditável que pessoas que se dizem surfistas, emporcalhem o habitat de tantas criaturas, sem nem mesmo parecer com a consciência culpada. O que será que passa nas mentes atrofiadas destes escrotos sub-desenvolvidos? Será que acham que o mundo é a sua lixeira. Será que fazem isso dentro de suas casas? Será que pensam que a natureza é auto-limpante?
O Lambari ficou furioso, mas como sempre, em vez de usar a violência utilizou sua inteligência. Pegou um saco e começou a limpar a praia na frente dos caras, sem falar nada, sem criticar, somente agindo concentrado na limpeza. Pouco a pouco alguns deles começaram a ficar com vergonha e juntaram-se ao Lamba, outros, com egos maiores saíram de fininho, mas com certeza com uma lição na alma. Acho que aqueles que ficaram estão salvos e ainda ganharam um super-amigo. Podíamos todos fazer isso diariamente no pedaço de praia que freqüentamos, agir assim algumas vezes, me parece uma boa técnica para educar porcos com alma.
Limpe seu pedaço de praia!

Conheça a ONG Global Garbage e os “Capitães de Areia”.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Jonas Dulong

Jonas saindo de uma sessão clássica no Píer.

Parece comigo? Pois este é o meu velho! Nasceu em 1943, em um chalé da praia grande. Desde pequeno freqüentou a arrebentação levado por seu pai, mas só foi descobrir o surf quando Lobo e os pioneiros começaram a surfar na Praia Grande na década de 50. Junto com seus amigos, Jonas ficava observando aqueles garotos mais velhos se divertindo e logo deu um jeito de arranjar um madeiritte para poder participar da turma.
O cara tinha um talento inato e logo começou a destacar-se pela fluidez e harmonia de seu surf. Jonas fez escola nos anos setenta no Píer da praia Grande e foi um dos primeiros a migrar do longboard para as mini-model. Muita gente em Wavetoon copiou o seu jeito de pegar ondas. Surfar bem para ele significava ter estilo, fazer cada manobra com perfeição. Acreditava que devia haver um alinhamento perfeito de todas as partes do corpo em relação à onda para se ter um surf bonito. Foi Jonas que trouxe para Wavetoon a “Escola do Envolvimento” de Bob McTavish, Nat Young e George Greenough. A idéia era, andar mais intensamente por dentro e próximo à crista da onda sem perder velocidade e aproveitando todas as possibilidades. No fim dos anos setenta ele levou-me ao Hawaii. Foi a minha primeira vez no paraíso, meu pai queria que eu tivesse contato com as ilhas e o com o espírito Aloha que ele tanto admirava. Infelizmente a viagem foi trágica e demorei muitos anos para conseguir voltar à Oahu. Num dia clássico na baía de Waimea, com 30’plus, assisti do alto do morro, meu pai dropar a maior da série. Ele remou com determinação numa enorme direita, perfeita e lisa. Começou a descer a onda lateralmente, estava relaxado, parecendo ter o domínio total da situação. Foi então que o inesperado aconteceu; uma seção à sua frente fechou e ele foi apanhado pelo lip desaparecendo na espuma. Atrás desta onda uma série enorme entrou fechando a baía. Depois disto, nunca mais vi meu pai...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Segunda-feira maneira.


“Descobri que a maior aventura da vida é o auto-conhecimento. Para esta viagem não é preciso sair do lugar.”

Tito Rosemberg (lenda viva do surf brasileiro, aventureiro e nômade.)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Finalmente!!!

Finalmente o lançamento do livro por aqui. A galera (muitos dos quais como eu, são protagonistas das aventuras) já estava meio indignada, pois em São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre o evento já ocorreu e o pessoal já leu ou está lendo o livro. O coquetel de lançamento ocorreu na Livraria Cultura da Praia Grande, centro de Wavetoon com a presença dos autores e de toda a fauna local. A festa rolou num clima de total alegria e descontração e pra fechar com chave de ouro teve um show irado do Rub e a apresentação de seu clip “No Mar” dirigido pela Raica e equipe.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

20. – Um reduto para a contracultura - história do surf em Wavetoon - 1970

Um paraíso da contraculturabem no centro da cidade.

Capítulo 19... Foi inevitável. A notícia espalhou-se rapidamente e em poucos dias todos que pegavam onda em Wavetoon começaram a freqüentar o local. Com os surfistas vieram as garotas e com elas o resto da rapaziada, artistas, músicos e malucos de todo o tipo. O local propiciava uma certa privacidade, pois a empreiteira que fez a obra não retirou as enormes quantidades de areia que foram movimentadas e assim o Píer ficou cercado por dunas que lhe protegiam da visão da cidade, mesmo estando na cara da Avenida Beira-Mar. Além disso, o enorme movimento de areia foi a causa do fantástico banco que se consolidou ao lado dos pilares quase que instantaneamente, propiciando ondas de sonho para o espanto e delírio da rapaziada. Parecia um presente dos deuses. Aquele espaço de areia no centro da cidade era como um clube, um reduto de liberdade em tempos de repressão, onde só iniciados estavam aptos a freqüentar. Os “caretas” como eram chamados os repressores e os reprimidos, não tinham a malandragem necessária para pisar naquele território, assim era natural que não se sentissem muito à vontade em passar por ali, talvez por levarem a censura na mente ou a culpa no coração. Enormes quantidades de energia e sinergia positiva tomaram conta do espaço e qualquer coisa podia rolar a qualquer momento, sem qualquer preconceito ou censura, tornando o Píer um paraíso para todas as formas de expressão, coletivas ou individuais.... segue

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Segunda-feira maneira.

"Tão bom quanto o surf é o papo que se leva no caminho, a amizade, dividir a ansiedade pelas ondas. (...) Sozinho não tem graça."

Fred d’Orey