segunda-feira, 28 de abril de 2008

Segunda-feira maneira.


AGONIA
Saber que elas se apresentam
Com tamanho
E não poder estar lá
Remando, passando sufoco
E talvez conseguindo aquela
Nem que seja só uma.

A vida me cobra
Me ensina
Me pune
Me recompensará

Um vazio
Saber que assim, só alguns estão lá
Que muitos que podem, não estão
Outros que querem, não podem
E querer estar lá.

Não em qualquer outro dos muitos
Mas naquele exato lugar
Nem que fosse por uma hora
Mesmo que seja pra ser varrido
E tentar tudo de novo.

Mas querer estar lá
Muito
E não poder
Por enquanto
É preciso merecê-la
Novamente.

Por: Gustavo Otto

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CANDICE - capítulo 13

Leia os capítulos anteriores Fiquei em êxtase! Séries após séries quebravam exatamente iguais junto ao canto do morro. Este, coberto por um mato de um verde intenso, contrastava com a maravilhosa cor daquela água. Lisérgico!
Tenho que cair nesse mar! - Era a única coisa que passava por minha cabeça naquele momento. Esqueci das garotas e hipnotizado pela cena, fui caminhando até a beira da praia e permaneci ali parado olhando aquele momento mágico.

UAU! UAU! - O Rato parecia me chamar.
Virei rapidamente a cabeça em direção aos latidos. No canto norte da baía, em frente a uma casinha de madeira, estava o meu novo amigo, sentado esperando-me.
Fudeu! - Agora não tenho como escapar delas, pensei.
Relaxei e saí caminhando em direção a casa determinado a enfrentar a situação.

A porta e as janelas estavam entreabertas e da pequena chaminé saía uma fumaça branca em direção ao mar. O Rato, enquanto eu caminhava na sua direção, parou de latir e abanava o rabo sorrindo. Quem tem cachorro sabe do que estou falando.
Apreensivo, cheguei próximo à porta e empurrei-a levemente, olhei pela fresta e entrei. Ninguém lá dentro. Da panela sobre o fogão à lenha, exalava um cheiro agradável que fez minha barriga roncar. Fui até lá e levantei a tampa. A visão e o cheiro da feijoada fizeram-me salivar, mas minha cabeça estava conectada com aquelas ondas lá fora. O rango parecia pronto. Tapei novamente a panela, retirei-a da chapa e desliguei o fogão. Fui atrás da minha prancha.

A casa era bem pequena e simpática, tinha um dormitório com duas camas, um banheiro e uma sala conjugada com a cozinha. Mas assim como o Rato, ela estava em péssimas condições. Janelas emperradas, telhas quebradas, vazamentos diversos, assoalho solto e muitos outros problemas que detectei enquanto dava uma geral atrás da bóia.

Nada da minha prancha. Saindo pela porta dos fundos, enquanto eu descia a escadinha de acesso pude ver a ponta do bico da prancha embaixo da casa, projetando-se para fora.
Meu coração bateu feliz com o reencontro. Puxei a tábua com carinho, atirei a camisa sobre a janela e saí correndo na direção do pico, acompanhado pelo meu amigo Rato...continua

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CANDICE capitulo 12

Leia os capítulos anteriores O cachorro dava saltos no ar. Entre um salto e o outro, colocava o peito e o focinho junto ao chão com as patas estendidas à frente. Ficava me olhando de baixo pra cima e abanava o rabo, enquanto emitia uma mistura de grunido com choro, parecendo tentar me sensibilizar.

-Você parece feliz em me ver! Falei para ele sorrindo. Pelo jeito ele compreendeu o que eu disse, pois imediatamente saltou sobre mim. Quando consegui tomar consciência da situação, eu estava deitado no chão tendo o rosto lambido pelo carismático labrador.
Ao menos enquanto me babava não estava latindo.

Empurrei o bicho, levantei, sacudi a areia e iniciei um cafuné nas suas orelhas tentando consolidar nossa precoce amizade. Observando de perto, ele parecia mal tratado. O pêlo estava cheio de carrapichos, tinha uma ferida aberta na perna e era muito magro. Apesar de tudo demonstrava um bom humor fantástico que imediatamente conquistou a minha simpatia. Rato de praia! Pensei.

Saímos caminhando lado a lado. Na trilha que agora começava a descer levemente, o mato se fechava em forma de um túnel verde quase na altura da minha cabeça. Não sabia muito bem para onde estávamos indo, mas pressentia que era em direção à praia. Embora não fizesse nenhum sentido, racionalmente pensando, eu me sentia bem mais protegido com o Rato ao meu lado. Foi assim que comecei a chamá-lo.

A trilha fez um curva para o sul e o Rato saiu correndo em direção à luz. Desapareceu do meu campo de visão. Tínhamos chegado ao fim do caminho. Permaneci prudentemente dentro do túnel verde tentando não ser visto pelas garotas. De onde me encontrava, eu tinha apenas uma visão parcial da areia e assim, cheio de cautela, fui me aproximando da saída. Uma panorâmica abriu-se para mim. Jamais esquecerei a primeira vez que vi aquela linda e minúscula baía com areias claras e um fundo de seixos brancos. Contei sete linhas de águas turmalina azul, transparentes e paralelas, contornarem o canto sul e virem desenrolando a crista uma à uma, modeladas pelo terral com extrema perfeição, até a beira da praia...continua

segunda-feira, 14 de abril de 2008

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Piratas invadem a ilha de Wavetoon!

Sabe aquele som que você não sabe que gosta porque ainda não ouviu?
Pois chegou ontem em Wavetoon, a banda do Rio de Janeiro chamada “Piratas do Rio” liderada por Zeca Proença, um legend do surf carioca . Vieram fazer aqui, o show
“Perturbando a Praia” que está rolando direto no Rio, todos os sábados, na Praia do Pepê.
Que surpresa legal! Eles fazem fusões inusitadas de rock, reggae, calypso, rumba e outros temperados ritmos latinos. Ontem à noite assisti a uma apresentação dos caras lá no Reggae & Marley e saí amarradão. Canções como Punta Hermosa, If not for you, Lobas Famintas, Skank e muitas outras, levantaram a galera e colocaram o bar abaixo.
Dá até pra baixar algumas delas clicando
aqui ou no site Píer de Ipanema.
Vale conferir!
Aloha Zeca!!!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CANDICE - capítulo 11

Leia os capítulos anteriores - Realmente eu não chamei a atenção do bicho e enquanto ele preocupava-se com as tainhas eu conseguia restabelecer meus batimentos cardíacos. Encontrava-me bem próximo à beira, testei o pé e encontrei o fundo. Água pela cintura. Olhei para trás e vi a barbatana circulando lá fora. A vida me deu uma chance pensei e meu coração encheu-se de gratidão por estar vivo, uma euforia tomou conta de mim e saí correndo da água num êxtase que jamais havia experimentado.

Na minha frente um verde mato denso mediava o céu azul e a areia branca. Parado em pé na praia fui movendo a cabeça lentamente, desfrutando cada pedaço daquela pequena baía maravilhosa que impressionava a minha retina. Quando enquadrei o canto sul o bote das garotas entrou na minha área de visão e subitamente meu corpo saiu do êxtase. Eu havia esquecido delas por alguns momentos. Novamente adrenalina. Corri até o bote já me sentindo desprotegido, meio agachado e tentando me esconder, como se isso fosse fazer eu ficar menos visível. Cheguei ofegando, alerta. Comecei examinar o local atentamente. Num canto da proa, entre o fundo do bote e a lateral inflada, meu Ipod espremido, como se estivesse pedindo ajuda, sorriu pra mim. Peguei o cara, coloquei os fones, apertei no play e “The Low Spark of High Heeled Boys” preencheu o meu espírito... dica do Kadu.

If you had just a minute to breathe
And they granted you one final wish
Would you ask for something like another chance?
Or something similar as this?
Don’t worry too much
It’ll happen to you
As sure as your sorrows are joys
And the thing that disturbs you is only the sound of
The low spark of high-heeled boys…

A trilha sonora modificou as minhas percepções sobre a situação e agora tudo parecia Ok. Caminhei na direção das pegadas que saiam do bote e entravam numa trilha no mato. O estreito caminho de areia branca, serpenteava no meio da densa vegetação em direção ascendente. Passei um portal de palmeiras e entrei no meio da vegetação. Conforme eu avançava, o cheiro da flora preenchia minha cabeça com memórias agradáveis enquanto a luz dura da praia era gradualmente filtrada pelas árvores tornando-se um suave sombreado temperado pela brisa do continente deixando a temperatura bem agradável. Depois de alguns minutos de subida, encontrei uma camiseta minha caída ao lado da trilha, dei mais alguns passos e um pano “vermelho cereja” chamou minha atenção pendurado num galho mais adiante. Quando coloquei as mãos nele, um perfume magnífico impregnou minhas narinas e imediatamente lembrei da garota que me assaltou na praia. Embora não tenha visto seu rosto meu coração batia forte pelo seu cheiro!

If I gave you everything that I owned
And asked for nothing in return
Would you do the same for me as I do for you?
Or take me for a ride
Strip me of everything including my pride
But spirit is something no one destroys
And the sound that I’m hearing is only the sound
The low spark of high-heeled boys

Candice! Continuei caminhando pensando nela quando um enorme cão labrador fechou a trilha na minha frente, latindo freneticamente enquanto abanava o rabo.
Tô perdido! pensei...continua

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Segunda-feira maneira.


"Proteger a criação é um assunto, ético, religioso, moral, e que requer muito respeito.
A natureza nos dá oxigênio, água pura, polinização e outros intermináveis serviços para sobrevivermos neste ambiente saudável que chamamos de terra. Não protege-la é um desrespeito ao divino, o que em última análise poderá conduzir a nossa extinção."
Gary Lynch (surfista, historiador da cultura surf, cientista e humanista)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

CANDICE - capítulo 10

Leia os capítulos anteriores – A distância até a ilha não era muito grande, mas quem já nadou no mar sabe que é bem diferente do que fazê-lo numa piscina. A água é mais densa e constantemente perdemos a direção. Existe também, aquele sentimento desagradável de sermos uma isca totalmente desprotegida e sem nenhuma zona de proteção ou escape no caso de alguma criatura sinistra aparecer. Foi exatamente isso que aconteceu quando eu me encontrava no meio do caminho entre a ilha e o continente.

Eu nadava bem relaxado, economizando energia, de olhos fechados por causa do sal e do sol. Entre algumas braçadas abria-os para acertar o meu rumo. Quando levantei o braço e tirei a cabeça lateralmente para fora da água, pude ver ao meu lado, há poucos metros, uma enorme mandíbula emergir, mastigando uma tainha de uns 10 kg. O olhar parado da criatura alinhou-se com meu e uma descarga gelada percorreu a minha coluna e invadiu o meu corpo. Meu coração disparou e o pânico tomou conta da minha alma. Foi quase inevitável assumir espontaneamente o papel de presa ou de isca e imediatamente parei de nadar e comecei a debater-me.
A criatura alinhou o dorso no nível da água e ficou dando voltas em mim.
Acima da superfície, aquela sugestiva barbatana, arquétipo da morte certa, com muita dor e pavor, completava o meu desespero. O bicho imergiu desaparecendo da minha visão. Não sou religioso, mas também não sou ateu. Imediatamente comecei a rezar prevendo o meu trágico desaparecimento. Imagens desconexas da minha vida invadiram a minha cabeça. Meu corpo adrenalizado, debatia-se, enquanto eu tentava pedir para alguma entidade superior que o meu fim fosse breve.

CHUUUUUHHHAAAAA!!! CLACK! CLACK! A mandíbula surgiu novamente mais distante, com outro peixe entre os dentes.
– Acho que a coisa não é comigo! Pensei em um segundo, lembrando dos exercícios de pranayama que eu havia aprendido nas aulas de Ashtanga.
- Tenho que me acalmar! falava pra mim, enquanto eu tomava consciência de que estava no meio de um cardume de tainhas. Imediatamente comecei a controlar a minha respiração, enquanto observava os movimentos do tubarão. Fui me acalmando, comecei a nadar lentamente, para fora da sua área de alimentação, com todo o cuidado, tentando não fazer barulho na água. Continua...