quinta-feira, 31 de maio de 2007

Valentin


Achei essa foto hoje pela manhã, perdida numa gaveta. Foi tirada por Don Vito. Ele queria testar uma caixa estanque que tinha construído para poder tirar fotos de surf.
Na época, eu tinha 12 anos e costumava ir acampar os fins-de-semana em El Faro. De tanto frequentar o pico, acabei ficando amigo de um grupo de golfinhos que viviam na saida do rio, especialmente de um que se chamava Valentin. É esse aí na foto...

Homero

Homero em Espectro Point
Meu grande amigo Homero. O surf nos uniu, iniciamos na mesma época no Píer da Praia Grande no princípio dos anos 70. Quando começamos a levar a coisa toda realmente a sério, Homero foi mais longe e com apenas 17 anos montou uma Surf Shop. Queria viver disso. Os anos passaram e a Aloha Surf Shop transformou-se numa rede, mas é lá na primeira, a lojinha do Píer, que você vai encontrá-lo. Homero adora pessoas, e mesmo com o seu jeito sério, é um grande agregador e amigo. É um paizão para os grumetes que freqüentam o Píer, sempre dando uma força, um toque e emprestando equipamento para os garotos. Este jeito do cara, fez com que sua loja seja cultuada e tenha se tornado um local de encontro de várias gerações, durante todos estes anos aqui na Ilha. Quando quiser encontrar a galera ou ouvir boas histórias sobre surf, aventuras e pessoas é só chegar na Aloha e puxar um papo.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Big Rider internacional em Wavetoon.

Gaya recebendo seu novo foguete na oficina da Wavetoon Surfboards.

Está na ilha, a grande big rider Gaya Mabeira, chegou ontem, junto com o swell de sul para experimentar Mustang's. O Shaper Maia, da Wavetoon Surfboards, desenvolveu um modelo especial para Gaya. A garota vai testar amanhã, na laje de Mustang's, numa sessão de Tow in, em parceria com o Lambari.

A Praia dos Amores

a pequena baía ao amanhecer

Depois do canto norte da Praia Grande, existe uma pequena baía ainda praticamente virgem, que levou muitos habitantes de Wavetoon, a perderam lá a sua virgindade. Eu explico. Dizem os especialistas, que o solo da Praia dos Amores libera um gás afrodisíaco, pela tardinha e ao amanhecer. Quem estiver por lá nesses horários, com certeza ficará embriagado pelo lugar, pelas ondas e pelas pessoas que estiverem ao seu lado. Por isso, sempre vou sozinho ou com alguma amiga e não recomendo ir nesse horário numa barca com a galera. O pessoal vai começar a se estranhar. Talvez tenha sido estes fenômenos que levaram o maluco do Frank, único morador do lugar, a se aprofundar na ciência espiritual e mística do Tantra. Ta certo ele. Mas além de tudo isso, e de toda a sua beleza, lá rola um surf de muita qualidade. Se vocês olharem para o meio da baía, vão ver uma direita tubular de sonho. Vem solitária, lá de trás do canto esquerdo, até sua última seção, que passa pelo rochedo em forma de cone no meio da praia. Vale conferir e bem acompanhado!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Há uma hora atrás.

Fim de tarde em Los Barcos.

Godi

Godi quebrando tudo no Pier.

Quando se chega pela primeira vez à oficina da Wavetoon Surfboards, ficamos meio confusos, meio surpresos. Você vai entrando, caminhando em direção a sala de laminação e ouvindo aquelas gargalhadas... Começa então a imaginar que está rolando uma festa. Quando entra na sala está todo mundo lá, trabalhando, mas morrendo de tanto rir. O responsável pela sala, e pelo o humor dentro dela, é o Godi.
É o cara mais engraçado que eu conheço, nem o Lambari ganha dele.
Godi é sócio de Maia e de seu pai Rica, na Wavetoon Surfboards. Lá é ele que cuida da pintura, laminação e acabamento das bóias. Vive no Pontão dos Rastas, antigo quilombo, e hoje reduto de famílias de descendentes de escravos jamaicanos, trazidos por piratas para a ilha. É o local onde mais se ri em Wavetoon. É um excelente surfista, dotado de uma técnica aprimorada e de um lindo estilo de surf. Tem conseguido boas colocações em provas locais, nacionais e até internacionais. Está no caminho para virar um Pro. Com certeza o ASP World Tour vai ficar mais divertido. Junto com o Maia, o Lambari e seu cão Jasão, forma o quarteto conhecido por aqui como “Os Argonautas”, apelido dado ao grupo pelas aventuras e roubadas vividas por eles, na traineira Argos.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Cabo Negro

Lugar mítico para a galera de Wavetoon. Foi descoberto e surfado pela primeira vez no fim dos anos 60 por um cara chamado Otto. Depois de uma experiência transcendente lá vivida por Frank que durou cinco anos, o Cabo virou um local de peregrinação para os surfistas daqui. Muitos foram para lá passar longos períodos em busca de iluminação, poucos realmente conseguiram... Lugar inóspito, desértico, freqüentado por ventos e tempestades, Cabo Negro é, além de um cemitério de navios, um surf spot com ondas de qualidade internacional. Existe por lá uma direita quilométrica, que pode proporcionar estados alterados de consciência se surfada por longos períodos. Fica 500 km ao sul de Wavetoon e é ainda hoje, um local de difícil acesso que proporciona grandes aventuras.

Segunda-feira maneira.

"A parte divertida do surf é que você não precisa ganhar de alguém para se sentir um campeão."
Terry Tubesteack Tracey (surfista, legend, ícone cultural dos 60')

domingo, 27 de maio de 2007

sábado, 26 de maio de 2007

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Mistério! Saiu hoje na gazeta!

Lourenço e Osmar especulando a escotilha próxima ao casco do Fredisburg.

O caçador de tesouros Dr. Lourenço Abba e seu assistente Osmar Motta, estão na cidade desde o dia 8 de maio. Na trilha do tesouro do pirata Cavendish, acabam de encontrar um objeto não identificado no fundo do mar junto ao casco do Fredisburg. Depois de duas semanas, explorando a ilha Bela Luna sem nenhum sucesso, resolveram seguir a suposta trilha dos padres. Queriam descobrir o local onde supostamente, entre a ilha e o Iate Clube, eles naufragaram. No meio deste percurso descobriram um insólito artefato que, aparentemente não tem nada relacionado com tesouros ou padres. A defesa civil isolou o local e as autoridades especulam sobre o que fazer. A população já está dividida entre os que acham que aquilo sempre esteve por ali, e por isso não representa ameaça, e os que querem saber o que há por trás daquela escotilha... Confesso que fiquei curioso... Que vocês acham??

05.Grandes novidades - história do surf em Wavetoon - década de 50

Da esquerda para a direita os pioneiros ; Rica, Boca, Lobo e Tuco

Parte4...A década seguinte foi cheia de novidades. Num fim-de-tarde ensolarado e poeirento do verão de 55, um grupo de caras e garotas confraternizavam numa doce vadiagem, atirados na areia da Praia Grande. Algumas pranchas de madeira cravadas no chão, faziam um semi-círculo sombreado dentro do qual eles se protegiam do sol. Lobo e Boca tocavam violões enquanto os outros cantavam. Aquela música estranha, os risos, os gritos incontidos, toda aquela espontaneidade, assustava aos que olhavam de fora e não pertenciam ao grupo. Manifestações daquele tipo, não eram comuns naquela época e a população via aquilo com desconfiança e preconceito. Havia sempre uma tensão no ar. Mas eles não ligavam. Estavam se divertindo como ninguém havia se divertido antes por ali. E sabiam disso. Estava nascendo ali também, uma nova maneira de ver o mundo, de fazer as coisas, uma nova cultura, uma cultura de praia. Isso ficava claro pela maneira como falavam, como vestiam, como agiam e se expressavam. Naquela época a Avenida Beira-Mar era um lugar tranqüilo, sem movimento. Assim, aquele ronco estridente de uma surdina furada, logo chamou a atenção dos garotos. Imóveis e calados, observaram um furgão antigo, tomado pela ferrugem, aproximar-se do local onde estavam. Dentro da caçamba de madeira, amarrada sobre a tampa aberta, repousava um objeto que logo concentrou o olhar de todos. Uma prancha de surf totalmente diferente. O motorista abriu a porta, pulou e veio sorrindo em direção ao grupo. Quando chegou bem próximo apresentou-se. Olá eu sou o Vito! continua...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Hoje pela manhã.


Pela cara de felicidade da para imaginar o surf que rolou hoje de manhã. Eu, o Jeff e o Halolo no estacionamento de Uaiquiqui, pilhados pra pegar a direita que rola em direção ao Iate Club.

Frank o outsider

Testando a sua Kneeboard no quintal de casa.



Quem chega à Praia dos Amores, a qualquer hora do dia ou da noite, sempre verá uma fumaça saindo da chaminé de um chalezinho de madeira. Pendurada no morro no meio de um mato nativo, esta casa nos remete imediatamente a lembranças arcaicas do que deveria ser uma casa de avós. De lá sempre vem um cheiro especial que toma conta da pequena baía quando o vento vem do mar. É o lar do meu amigo Frank. Esta figura aí no topo. Frank é o tipo do cara que todo mundo acha estranho quando o conhece. Diz a lenda que ele foi um executivo muito rico, que nos anos setenta, depois de ser apresentado ao surf, largou tudo para virar um outsider e ficar perto das ondas. Vive solitário na Praia dos Amores com seu cão Pirata e leva uma vida voltada para o mar e para o surf. É praticante de Yoga e de uma ciência espiritual e mística chamada Tantra. Apesar de sua aparência assustar os mais conservadores, Frank é uma pessoa muito doce, generosa e um grande conhecedor da alma humana. Sem nenhuma limitação mental, ele surfa bem com qualquer equipamento, e “experiência” seria uma boa palavra para defini-lo.
É um ermitão meio sábio que sempre tem um toque legal para dar.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Chega de protestos inúteis! A ação de cada um fará a diferença.


O que podemos fazer EM CASA para deter o aquecimento global?
Após a reunião dos peritos da ONU sobre a mudança climática, (realizada em1º fev 2007, Paris)foi determinado que restam só 10 anos para que possamos frear a catástrofe ambiental e climática que se aproxima. A responsabilidade não é só política e empresarial, mas também da postura de cada habitante da Terra diante do fenômeno. Isso é a chave para salvar o planeta, nossas vidas e as futuras gerações. Não mais protestos inúteis, pois AÇÃO e INFORMAÇÃO farão a diferença.
1 - A ÁGUA: Consuma o justo. Evite gasto desnecessário.
- Não esvazie a CISTERNA desnecessariamente e ao fazê-lo, utilize a água armazenada.
- Repare imediatamente os VAZAMENTOS: 10 gotas de água por minuto desperdiçam 2 mil litros de água por ano.
B A N H E I R O- Não jogue no VASO SANITÁRIO cotonetes, papéis, pontas de cigarro, compressas, ob ou preservativos, utilize a lata do lixo.
- Gel, xampu e detergentes são contaminadores. Usá-los moderadamente e se possível optar por produtos ecológicos.
B A N H O- Prefira DUCHA à imersão (banheira). Economiza 7 mil litros p/ ano. Mantenha a ducha aberta só o tempo indispensável, fechando-a enquanto te ensaboas.
- Não deixe a torneira aberta enquanto escovar os dentes ou barbear.
C O Z I N H A- Não lave os alimentos com a TORNEIRA aberta, utiliza um recipiente. Ao terminar, esta água pode ser aproveitada para regar as plantas.Utilize a máquina de lavar louças na sua capacidade máxima. Não despeje óleo usado na pia ou vaso sanitário, ele flutuará sobre a água e é muito difícil de eliminar.
L A V A N D E R I A- Utilize a MÁQUINA DE LAVAR somente quando estiver cheia totalmente. Reutilize totalmente ou parte da água da máquina: em banhos, limpar pisos, calçadas.
J A R D I M- O melhor momento para regar é à tardinha, menor evaporação.- Utilizar água não potável para regar jardins e calçadas; de cozimento de alimentos para regar as plantas.- Prefira plantas nativas, que requerem menos cuidados e menos água.
Não esquecer de plantar a SUA ÁRVORE, ao menos uma vez vida.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Maia

Sala de shape da Wavetoon Surfboards
Este é o Maia, o cara que faz as minhas pranchas. Apesar dos seus vinte e poucos anos é um shaper muito experiente. Com 15 já estava na estrada, e trabalhou nas oficinas de grandes mestres do shape, no Brasil, na Califórnia e no Hawaii. Ouve mais do que fala, age mais do que conta. Talvez seja isso que lhe de um certo...“prestígio” com as garotas e um super-respeito da galera local. Maia realmente é um cara Low profile. Seu pai, Rica (um dos pioneiros), assumiu a oficina do Lobo quando este morreu nos anos 60. Fundou a Rica Surfboards e durante anos foi o único shaper por aqui. Atualmente, Maia dá continuidade ao trabalho do pai, e divide com ele e seu amigo Gody, a Wavetoon Surfboards.

É...há vezes que isso também acontece por aqui!

Praia da Vila (centro) ontem pela manhã.

Como disse um surfista chamado Chuck Menzel; Conhecimento e respeito superam o localismo. Localismo é bom, quando é um equilíbrio entre o respeito por aqueles que frequentam um surf spot, e o respeito por aqueles que tem o direito de conhecê-lo.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

São Sete Beach

Vista panorâmica de São Sete beach.
É aí que eu moro galera! Se vocês forem atentos vão encontrar a minha casa e a minha Kombi. Nada mal hein? Número mágico. São sete baías com todos os tipos de ondas possíveis, uma do lado da outra. Fundo de pedra, fundo de areia, direitas, esquerdas, tem de tudo... E como se não fosse o suficiente, de bônus ao fundo, vocês poderão ver a Laje do Maluco espumando. Lá quebra alucinante quando as Sete estão fechando. Com o swell de sul ou sudeste e vento nordeste, todas funcionam ao mesmo tempo. Aí então, fica de sonho e eu não paro de receber visitas. Quando estiverem passando é só chegar, que sempre tem um chá e um bom papo, além de muita onda...é claro!

Segunda-feira maneira.

Ação conjunta do CPC e da Ong Global Garbage em Katchabum, ontem pela manhã.

"Pare um pouco para refletir sobre todos os grandes momentos que o oceano tem lhe propiciado. Sim...eu sei. Há muitos. Agora tente imaginar sua vida sem esses momentos... Eu não consigo...porque estes momentos são alguns dos maiores tesouros da minha vida (sem contar minha família). Agora pense em como você está retribuindo esta dádiva para o oceano. Basicamente o que eu estou tentando dizer é...cuide do oceano, que ele cuidará de você." Rob Machado (surfista, músico)

domingo, 20 de maio de 2007

Garotas em Wavetoon

Vika, chegando no canto sul de Quebra Ossos.
Domingo com ondinhas de meio metro
vento terral. Tudo muito tranquilo.

sábado, 19 de maio de 2007

sexta-feira, 18 de maio de 2007

04. O nascimento da cultura local - história do surf em Wavetoon - anos 45/50

Parte3 ...Alguma coisa muito forte preencheu a alma dos garotos depois da experiência vivida naquele domingo. Seus pensamentos começaram a freqüentar com insistência a Praia das Pombas. O Tempo fora dela, corria devagar, e suas fantasias criavam insistentemente o que o coração estava desejando. Surfar. Não tinham como trazer a Alaia para a cidade. Ela pesava muito, e além de tudo não queriam. Era uma espécie de segredo que guardavam entre si e os mantinha unidos.
Agora, iam para acampar e ficavam todo o fim de semana. Os pais desconfiavam que algo estranho se passava. Começou a ficar claro um conflito de gerações que estava adormecido e que nunca antes acontecera. Parece que, pela primeira vez por ali, filhos estavam interessados em coisas totalmente diferentes de seus pais. Alguns meses depois, uma prancha só não supria mais a fissura dos garotos. Lobo retomou o trabalho, e terminou a prancha oca que estava fazendo antes de acharem a Alaia. Já na primeira onda perceberam que ela era mais eficiente que a tábua ancestral, era mais leve, mais fácil de manobrar. Construiu mais três. Logo a prancha havaiana voltou para gruta e por lá ficou. Colocada como um totem, ela simbolizava um objeto de transcendência que permitiu uma nova percepção da vida para os garotos. Era um altar naquela caverna secreta, onde eles passavam fins de semana mágicos. As pedrinhas verdes, eles transformaram em talismãs, cada um usou-a à sua de maneira. Lobo fez um anel, Tuco um pendente, Boca uma espécie de chaveiro, Rica incrustou-a na prancha. O surf agora rolava solto, eles aprenderam a dominar as pranchas, desenvolveram uma técnica, uma maneira de abordar a onda.Começavam realmente a se divertir. continua...

Nova modalidade de surf

O Lambari realmente é maluco. Depois daquele swell enorme do dia 27, em que quase nos matou quando resolveu surfar de traineira, parece que o cara levou a idéia adiante...e à sério!
Olha só o que ele inventou. Colocou presilhas na sua traineira Argos, para começar a explorar as enormes ondulações em alto mar. Enquanto um, fica na cabine pilotando, os outros vão para a proa, encaixam os pés nas presilhas e desfrutam do drop, como dá prá ver na imagem aí acima.
No último swell do início da semana passada, ele me convidou para testar a invenção. A Raica como sempre, registrou tudo, e depois veio pra traineira experimentar a nova modalidade.
Cara, é assustador... mas é demais!



quinta-feira, 17 de maio de 2007

Lobo - Legends

Lobo na direita de Quebra-ossos.
Lobo foi um dos pioneiros. Foi ele o primeiro cara a surfar em Wavetoon, no dia em que, junto com seus amigos, encontrou uma alaia com mais de trezentos anos numa gruta da Praia das Pombas (Espectro Point). Nativo da ilha, aventureiro, figura carismática, Lobo sempre foi um grande fazedor de amigos e por isso o principal difusor do surf por aqui. Influenciou dezenas de garotos a se converterem ao surf e transformou-se numa espécie de ídolo da contra-cultura local. Logo se interessou pela construção de pranchas, e montou uma oficina. Com a chegada de U’Paka Halolo no fim dos anos 50, trazendo novidades do Hawaii, Lobo aprendeu novas técnicas e passou a viver do surf. Também nisso foi o primeiro. Com a evolução das suas pranchas e a companhia do recém chegado e experiente U’Paka, Lobo passou a explorar ondas maiores e mais difíceis. Num fim de tarde de inverno em 1966, com um enorme swell de sul, ele e seu amigo Tuco, resolveram ir até a Laje de Mustangs na remada. Queriam surfar as séries enormes e perfeitas que avistaram do morro de Quebra-ossos. No meio do caminho, ficaram encurralados entre séries gigantes e, vendo que seria impossível chegar lá, resolveram voltar. Segundo Tuco, Lobo remou na primeira da série, uma enorme vaga de 20 pés. Depois disso nunca mais foi visto.

Fim de tarde clássico.

A guilhotina do Pontão dos Rastas ontem à tarde.

Fim de tarde clássico ontem no Pontão dos Rastas. Como sempre, quando o mar está de sul e grande, é complicado entrar remando no Pontão. Só resta então respirar fundo, não pensar muito e tentar não errar o tempo. Depois, é sair remando pro outside com todas as suas forças e rezar para não surgir uma série do nada.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Baía do Cavendish.

Vista aérea da Pedra do Pirata.

Nesta baía, no ano de 1610, foi morto por seus homens o Capitão Cavendish, temível pirata inglês que horrorizava as populações costeiras e os navios que por aqui passavam.
Por ser de extrema beleza e de difícil acesso, esta praia abriga uma comunidade de nudistas ou naturistas. Todos que vão lá pela primeira vez, contagiados pelo clima, digamos, “informal” da comunidade, tentam surfar pelados. Isto, quase sempre acaba em tragédia para estes desavisados, porque, pêlos, parafina, pele branca e areia definitivamente não combinam. A Pedra do Pirata é a referência do pico, e junto à ela quebram ondas de até um metro e meio que são pura diversão. Nos dias de flat, o lugar se torna um verdadeiro coringa por ter sempre uma valinha. O clássico, é swell de leste/nordeste e vento sul ou sudoeste.

Pinguins Mortos.

É um fenômeno comum do nosso inverno, apareceram alguns pingüins mortos na praia. Ontem entretanto, nas praias do sul, a cena era preocupante. Qual seria a causa disso? Nesta época do ano, eles sobem para o norte a procura de alimentação, passando meses sem colocar as patas sobre terra ou gelo firme. Pode ser também, o óleo dos barcos. Às vezes o pessoal considera um descarte natural, eles acabam se afastando por não agüentarem o trajeto migratório. Descarte natural ou a poluição dos mares? A Marianinha e o Lambari do CPC (Centro de Proteção à Costa) estão investigando para saberem as causas.

terça-feira, 15 de maio de 2007

U'Paka Halolo - Legends

U’Paka com seu filho Halolo e eu, ainda garotos, no final dos anos 60.

U’Paka Halolo, cresceu surfando Waikiki junto com lendas locais, mas quando ficou adolescente, juntou-se a Greg Noll e Mickey Muñoz na busca de ondas maiores no North Shore e foi, junto com eles, o desbravador de ondas como Makaha e Waimea. Este havaiano gozador, ficou amarradão em Wavetoon depois que esteve aqui pela primeira vez no fim dos anos 50. Veio junto com sua esposa Rell, contratados pela secretaria de agricultura para ensinar aos nativos, técnicas de cultivo de abacaxis.
Chegando aqui, ficou surpreso ao encontrar uma galera praticando surf. Logo ficou amigo de Lobo, Dom Vito e dos pioneiros que fomentavam a cena local.
Foi U’Paka que trouxe as primeiras pranchas de fibra e poliuretano para Wavetoon, e mostrou para os surfistas locais novas maneiras de abordar a onda. Ele foi um marco e deu um impulso enorme na história do surf local. Com suas idas e vindas para o Hawaii sempre trouxe novidades tanto em equipamentos quanto em estilo. Em uma dessas vindas, acabou se estabelecendo por aqui até hoje e, apesar dos 70 anos, é seguidamente visto no linup quando o mar está grande. É o cara que introduziu o espírito Aloha em Wavetoon.

SK8


A gente também gosta muito disso! Fim de tarde ontem, no half-pipe do canto direito da Praia Gande, pra comemorar o aniversário do Wavetoon Skate Park. Grande festa ao som do Urbicanda.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Espectro Point.

Lugar lindo, imponderável, repleto de mistérios, Espectro Point é uma pequena baía ao sul de Wavetoon. Lá, junto ao canto com enormes pedras arredondadas, quebram direitas longas, perfeitas e tubulares. O melhor swell é o de sul e o nordeste é o terral perfeito. É longe do centro, e por isso, mesmo nos melhores dias, nunca tem muita gente na água. Espectro Point é um apelido. Foi dado pelos surfistas à Praia das Pombas, por existirem lá muitas lendas sobre aparições, principalmente em dias de tempestade, quando o lugar torna-se então, lúgubre e assustador. Foi lá, nos anos 40, que os pioneiros surfaram pela primeira vez em Wavetoon. Por esta razão, até hoje é um lugar cultuado pela galera do surf.

sábado, 12 de maio de 2007

Amanhã é dia das Mães

Achei esta foto justamente hoje perdida numa gaveta.
Foi ela quem me mostrou o mar pela primeira vez!
Valeu mamãe!

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sexta-feira, 11 de maio de 2007

03. Os Pioneiros - história do surf em Wavetoon - ano 1945

Parte2...Aquela tarde foi épica. Os garotos arrastaram a Alaia para a água, o mar estava calmo, as ondas cheias e lentas. Direitas perfeitas de meio metro abriam do canto do morro em direção ao meio da praia. Lobo entrou remando de joelhos até a arrebentação. A água verde turmalina e a espuma branca completavam o cenário daquele momento histórico. Não foi fácil dominar aquele tipo de prancha, mesmo para um havaiano, não era coisa simples. Mas garotos são teimosos e depois de várias tentativas frustradas, Lobo experimentou uma sensação que jamais sonhara. Estava deslizando na superfície do mar e não existe nada no mundo que chegue perto desta emoção. Ela vicia. Esta é a natureza dos surfistas até hoje, são independentes, vão lá e se viram sozinhos. Na praia os garotos urravam e pulavam comemorando a primeira surfada em Wavetoon. Os outros também tentaram, mas apenas o pequeno Tuco, o mais novo deles, conseguiu o mesmo feito de Lobo. Nasciam duas lendas. O dia terminou e a Alaia voltou pra gruta. Lá dentro, exaustos, eles dividiram as pedrinhas verdes e entre olhares, fizeram um pacto de amizade e cumplicidade que só um dia como aquele é capaz de construir. Pegaram suas bicicletas e já com a noite caindo, pedalaram em direção à cidade. Depois deste dia passaram a ser conhecidos como “os pioneiros”. Continua...

Morreu um turista em Katchabum.

o momento da tragédia registrado por Raica.

O swell de sul finalmente ficou um pouco maior ontem pela manhã. Bom pra uns, ruim para outros. Principalmente pra quem não conhece Katchabum. Virada para o sul ela recebe o swell direto, e por ser uma praia de tombo, com uma laje próxima à beira... bem, não vou explicar, olhem a imagem acima. Um turista desavisado, que não sabia do cocão que finaliza a onda, remou na maior da série e não conseguiu tirar na hora certa. Foi partido ao meio. Temos que colocar umas placas por lá.
Iki mostrando como se faz em Katchabum

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Mariana

"Ela tem o shape perfeito o tamanho ideal
de front ou de Back ela é sensacional...

Sempre do meu lado não importa a condição
perfeita simetria feita à mão.

Ela tem curvas exatas e reflete a luz do sol
um sonho sob medida, feita só pra mim..."


Estou usando a canção do meu amigo Rub pra falar dessa gatinha que eu adoro. Marianinha é tudo de bom, apesar de parecer furiosa ai nesta imagem. Nesse dia ela encontrou um golfinho morto numa rede e passou o dia inteiro indignada. Oceanóloga, ela trabalha no centro de pesquisas marinhas de Wavetoon e passa grande parte do dia em um barco estudando as baleias. Como dá pra ver pela imagem ao lado, surf também é a sua área. Fundou junto com o Lambari o CPC (centro de proteção à costa) que faz ações pontuais de educação e informação para a preservação do nosso litoral. É pequena por fora mas enorme por dentro...

Dawn patrol

Volta pra casa, depois de uma sessão fantástica na Praia do Canto ontem pela manhã.

Ontem madrugamos para pegar o swell. A previsão, que não se confirmou, era de que iria rolar um big surf. Não deu mas... a Praia do Canto tava clássica. Vamos ver se rola hoje, ainda não tive coragem de olhar a web cam, estou trancado no trabalho... compromisso até o meio-dia.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Mais dois loucos na cidade.

O caçador de tesouros, Dr. Lourenço Abba.

Li hoje na Gazeta de Wavetoon que chegaram ontem por aqui o Dr. Lourenço Abba e seu assistente Osmar Motta. São mais dois caçadores de tesouro que vem pra ilha em busca do lendário tesouro do pirata Thomas Cavendish. Até hoje ninguém conseguiu desvendar o mistério de onde se encontra o baú do Cavendish. Dizem que seu imediato, Taylor Dulong, quando conseguiu escapar das garras do capitão na ilha Bela Luna, trouxe consigo o segredo do lugar onde estava o ouro. Durante muitos anos Taylor guardou para si a informação com medo de ser perseguido pelo Pirata. Quando ficou sabendo da morte de Cavendish, acabou contando tudo à sua esposa para justificar a compra do barco que lhe levaria de volta à Bela Luna. Olívia, com a consciência culpada depois de um sermão dominical sobre buracos de agulhas e camelos, resolveu contar ao padre confessor o que seu marido estava planejando. Taylor jamais achou o tesouro, mas contam seus descendentes que quando ele chegou à ilha encontrou o local já escavado e com pegadas recentes. Ao voltar a Wavetoon, ficou sabendo que os dois párocos da Vila haviam morrido afogados, depois de seu barco virar próximo à costa, durante a ressaca daquela manhã. O Dr. Lourenço traz no seu barco um sofisticado equipamento detector de metais e está muito otimista quanto aos resultados de sua busca. Iniciam junto à ilha Bela Luna e seguirão em linha reta em direção ao Iate Club no canto da Praia Grande . Vamos ver o que acontece.