terça-feira, 31 de julho de 2007

Capítulo 4 - A última onda. Como foi contado por Tuco.

Capaitulo3... Lobo conseguiu alugar um barco de pesca e logo navegávamos na direção de Tiburones, no canto da ilha grande. O que víamos dali era impressionante e amedrontador.

O pescador ancorou o barco, protegido numa pequena baía atrás da ilha, no local escolhido por nós para saltarmos. Disse que nos esperaria por ali e ficou olhando-nos, parecendo não acreditar no que iríamos fazer. Saltamos do barco e iniciamos uma remada insana em direção ao fim da onda de Tiburones para não sermos surpreendidos pelas séries. Nosso objetivo era ir até Mustang’s. O canal parecia seguro. Eram aproximadamente 16 hs quando conseguimos contornar a Ilha Grande. Sentamos nas pranchas para descansar e notamos que o canal nos jogava com uma força brutal para o meio do mar. Acabamos parando no meio do caminho entre Quebra-Ossos e Mustang’s. Alinhados com o laje de Mustang’s, começamos imediatamente a remar em direção a ela. Naquele momento surgiu no horizonte uma série inacreditável. Jamais presenciei novamente, algo daquele tamanho por aqui. Montanhas paralelas de água fechavam o horizonte, do canto da Ilha Grande até a ponta da ilha de Wavetoon. Apavorados começamos a remar desesperadamente em direção a laje. Tínhamos que chegar até elas antes que estourassem, pois, se isso acontecesse, ficaríamos sem as pranchas o que naquela situação seria fatal. Conseguimos. Elas eram tão grandes que não quebraram, passaram por cima da laje e seguiram em direção à costa. A esta altura, perguntava-me o que eu estava fazendo ali. Sentamos nas pranchas para descansar, sem saber muito bem onde estavamos...segue

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Segunda-feira maneira

Existe um velho ditado de Porto Rico que é frequentemente usado quando alguém é surpreendido por uma boa performance em um equipamento desprezível: “No es la flecha sino el indio. Tradução:” Não é a flecha, é o índio!” Ou seja: Não interessa a prancha que você usa, mas sim a maneira como você a surfa.

Steve Fitzpatrick (surfista e fotógrafo)

sábado, 28 de julho de 2007

sexta-feira, 27 de julho de 2007

14. – Um surf totalmente novo - história do surf em Wavetoon – anos 60

U'Paka na sua estréia em El Faro.

Parte 13... A magia daquele momento transcendeu as palavras. U’Paka, ter vindo parar em Wavetoon, parecia agora, ter um sentido explícito para ele, não veio apenas para ensinar os nativos a cultivar abacaxis. Veio resgatar o elo perdido da profecia de seu antepassado Maili. Com um largo sorriso, convocou todos a entrarem no mar. – Afinal as ondas estão rolando! A galera estava ansiosa para ver o que o havaiano faria com aquela Hobie novinha e extremamente leve. E realmente foi um show!
As ondas estavam perfeitas. Entrou a melhor da série e ninguém remou em sinal de reverência ao convidado. U’Paka entendeu o gesto. Deu duas braçadas e entrou numa direita perfeita com o joelho de trás flexionado. Direcionou a prancha no sentido contrário ao que a onda iria abrir, queria buscar mais impulso e velocidade na base. Uma forte cavada jogou-o na parede lisa, onde, depois de um pequeno ajuste, deu três passos até o bico deixando os dez dedos pra fora. Deslizou um bom percurso, relaxado nesta posição vencendo a velocidade. Em determinado momento recuou em passos alternados até a rabeta, onde como num pivô, colocou todo o peso do seu corpo gerando um magnífico cut-back. Voltando a recolocar a prancha na parede, deslizou realizando outra seqüência de manobras por mais de cinqüenta metros. Uhuuuu!!! Gritavam no line-up, excitados com o que viam. Foram apresentados a um surf totalmente novo de manobras impensadas, nem mesmo por Vito, que já havia vivido na Califórnia nos anos 40. Lobo foi o primeiro, Vito veio em seguida, depois, todos do grupo acabaram experimentando aquela maravilha. Uma nova era começou por aqui. U’Paka virou uma espécie de mestre e logo deu um jeito de importar os novos materiais para a oficina de Lobo, que começou a produzir a novidade em larga escala... segue

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Os Tiradágua


Alguns dos melhores surfistas do mundo trabalharam como salva-vidas, particularmente na Califórnia durante os anos 40 e 50, e no Hawaii dos anos 70 até os dias de hoje. Entre eles estavam caras como Tom Blake, Pete Peterson, Butch Van Artsdalen e o lendário Eddie Aikau, que morreu cumprindo sua missão de salvar vidas. O Jeff, trouxe esta tradição para Wavetoon, e hoje ele comanda por aqui o grupo de salvamento costeiro, conhecidos pela galera como os “Tiradágua”. Se a coisa ficar “preta”, levanta o braço e grita que sempre vai ter um deles por perto.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Capítulo 3 - A última onda. Como foi contado por Tuco.


capitulo 2... Ao passar pela Praia Grande, começamos a ter uma idéia do tamanho do mar que encontraríamos no sul. O estrago que as ondas começavam a fazer no calçadão recém inaugurado, era impressionante e assustador. Mesmo entrando de lado na baía, elas varreram a areia e colocaram abaixo a mureta de contenção do passeio, inundando toda a Avenida Beira-mar. Ao chegarmos ao fim da Praia Grande, pegamos, junto ao Iate Clube, a estrada costeira que contorna todas as baías do sul da ilha. Conforme a topografia subia, o horizonte, aos poucos ia se mostrando para nós. Começamos a avistar dezenas de séries. Linhas paralelas enormes, vindas do sul em direção a ilha, nos fizeram gritar dentro do carro. Mas só quando chegamos ao topo da Praia do Canto, tivemos condição de avaliar a real situação de tudo aquilo. Quando avistei a praia lá em baixo, alguma coisa se mexeu nas minhas vísceras, olhei para o Lobo e ele estava um pouco pálido. Eu também devia estar. Aquilo era muito, mas muito maior do que qualquer coisa que pudéssemos imaginar, era o mais impressionante e avassalador swell que presenciei em Wavetoon até hoje. Todas as praias que conseguíamos ver dali, fechavam assustadoramente. Qualquer esperança de surf junto à costa estava descartada. Até mesmo a Laje do Maluco, local que segura ondulações muito grandes, não tinha condições. Descemos do carro e ficamos algum tempo calados, olhando tudo aquilo, sem saber muito bem como canalizar toda a adrenalina que corria agora nas nossas veias. Foi quando, bem distante da costa, avistamos uma série gigantesca quebrar perfeita, acariciada por uma suave brisa de nordeste. Aquele local até então, era improvável para nós. Emocionados com a visão, começamos a avaliar a possibilidade de chegar até lá. Mas dali onde estávamos, seria impossível passar a arrebentação e a remada seria insana. Concordamos em ir até Espectro Point e de lá tentar chegar na Laje de Mustang’s protegidos pela Ilha Grande. ...segue

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Segunda-feira maneira.


“Existem aqueles de vocês que amam sua relação com o mar. A maravilha disso revela-se na busca, no encontrar, no observar e surfar as ondas dos oceanos. Quão sortudos são vocês, por terem encontrado uma inspiração tão profunda para suas vidas. Sejam conscientes. Respeitem e ajudem aos outros. Sejam orgulhosos mas não arrogantes. Busquem maneiras de ajudar seus companheiros de jornada, porque para vocês foi dado muito.”
Christopher Speakman (surfista e fotógrafo)

sábado, 21 de julho de 2007

sexta-feira, 20 de julho de 2007

13. – A Profecia - história do surf em Wavetoon – anos 60

Maili - no Hawaii por volta de 1600.

Parte 12... - Entre os antepassados da minha família, havia um em especial que se chamava Maili. Ele era um Kahuna, e foi o dono original destas pedras que trazemos nos dedos, elas estavam juntas em um altar criado por Maili, até serem roubadas pelos piratas ingleses. Chamam-se Peridotos e para os meus antepassados, ter uma delas, era como receber uma dádiva do deus havaiano Pele, deus do vulcão. O meu povo acredita que tudo e todos são compostos e sustentados por uma energia vital chamada MANA, que, de acordo com uma das mais arcaicas sabedorias, existe em todos os seres animados e inanimados; permeando todas as coisas e podendo ser transferida de uma pessoa para um objeto e vice-versa. Estas pedras que possuímos, foram extraídas de um meteorito caído nas ilhas em tempos remotos. Meus antepassados afirmavam que ele havia sido enviado pelo deus Pele. Assim, sempre me foi dito que quem possuí-las, será ajudado a ganhar o prazer dos deuses, coragem e pureza.
O havaiano fez uma pausa. Vito e Lobo entreolharam-se, e neste momento, Lobo começou a tirar o anel com a intenção de devolvê-lo. U’Paka fez um gesto com a mão, dizendo a ele que não fizesse isso. Depois continuou falando. - Maili sempre disse, e isso passou de geração a geração, que um dia elas ficariam juntas novamente, não num mesmo espaço, mas através do Mana das pessoas que as possuíssem. De lá até hoje, foi difícil para todos os meus antepassados tentar entender o que ele queria dizer com isso. Elas haviam sido levadas por piratas, aquilo não fazia nenhum sentido. Entretanto, agora tudo começa a ficar claro. É como se uma profecia estivesse se realizando... segue

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A cantina El Faro


Quando em 1959 descobriram El Faro, Vito e Lobo tiveram uma grande sacada. Depois de ficarem sabendo que o faroleiro estava se demitindo, pois não agüentava mais a solidão do lugar, e que a Marinha não possuía ninguém para o cargo, Vito ofereceu-se como candidato. Sua única condição era poder explorar o térreo da casa como um restaurante. O pessoal da Marinha achou que ele não batia bem. Na época ninguém ia até o Farol, nem estrada havia. Assim, nem pensaram em discordar daquela absurda exigência do castelhano. Vito e Lobo vislumbraram o futuro. Sabiam que aquela onda mágica iria atrair muita gente para o local. Foi só uma questão de tempo para a Cantina El Faro tornar-se um “pequeno grande negócio”. Há mais de quatro décadas, o hoje conhecido como “Don Vito Casca Grossa”, alimenta gerações de surfistas em Wavetoon. A cantina, é ponto de encontro e confraternização da galera sempre que as direitas estão quebrando. O cardápio é de sonho. Depois de seções épicas, comer os ravioles, lasanhas e espaguetes, ainda preparados pelo gringo e sua esposa Vitória, é como saborear um manjar dos deuses! Vai lá!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

No olho do tornado

"Surfar em ondas do oceano é uma brincadeira singular e os surfistas que as montam ligam-se a uma realidade totalmente diferente que é tão experimental que, naturalmente, não há palavras para descrever. Como é que alguma coisa de natureza jocosa podia ser melhor? Está-se a montar ecos ondulantes de ventos e tempestades do oceano. Está-se a cabriolar em pequenos e perfeitos tornados tri-dimensionais espiralados e deitados de lado - escorregando pela parede do tubo abaixo - no centro do ciclione. A divertir-se!"
Drew Kampion - Stoked

terça-feira, 17 de julho de 2007

Capítulo 2 – A última onda. Como foi contado por Tuco.

Tuco e Lobo a caminho do sul da ilha.

introdução... Até o começo dos anos 60, surfar o sul da ilha quando o mar estava grande era um feito praticamente impossível. Com a chegada de U’Paka Halolo, tudo mudou. Com ele veio o design das pranchas que tornavam isso possível e o conhecimento para cair neste tipo de mar. Mesmo assim poucos de nós aventuravam-se por lá durante esta década. Naquele dia, estávamos em El Faro. Sentado junto ao balcão, eu conversava com Lobo enquanto ele atendia no caixa da cantina. Enquanto o papo rolava, observávamos pela janela, o enorme swell de sul que passava de lado pelo pelo point break. Quando o relógio marcou treze horas, o vento parou. Em poucos minutos virou para uma brisa de nordeste. Isso é terral no sul da ilha. Sabíamos que por lá, a partir deste momento, as ondas estariam grandes e perfeitas. Nessa época Lobo era sócio de Vito na Cantina El Faro. Havia um pacto entre eles, de se alternarem no atendimento em dias de bom surf. Entretanto, naquele domingo o lugar estava lotado, e ainda havia pessoas esperando por uma mesa no lado de fora. Fomos tomados por aquele conhecido sentimento de que, a cada minuto que passava perdíamos uma onda. Lobo tinha a prioridade para sair e assim foi negociar com Vito. Houve entre eles uma pequena discussão e minutos depois, Lobo saiu da cozinha com a cara fechada e me fez um sinal com a cabeça em direção à rua. Mesmo tendo a prioridade para sair, e Boca tendo se oferecido para ficar no seu lugar, Lobo estava desconfortável com a decisão que tinha tomado. Parecia sentir-se culpado por ter deixado o amigo na cantina lotada. Mas o surf falou mais alto. Minutos mais tarde, rumávamos para o sul com duas 10’ feitas por ele, na capota da Vemaguette. ... segue

segunda-feira, 16 de julho de 2007

sábado, 14 de julho de 2007

sexta-feira, 13 de julho de 2007

12. As pedras verdes – história do surf em Wavetoon – anos 60

Parte 11... Enquanto falava sobre o Hawaii, U’Paka observava, constantemente o dedo médio de Lobo. Nele, havia um anel com uma pedra verde que o deixava cada vez mais espantado. Em determinado momento, não contendo a curiosidade, interrompeu o relato e dirigiu-se à Lobo indagando;
- Onde você conseguiu esta pedra? Enquanto fazia a pergunta, esticava o braço mostrando sua mão direita, na qual no médio também havia um anel. Não era igual ao de Lobo, mas as pedras, estas sim eram idênticas. Todos que estavam no círculo, mesmo sem entender totalmente o que eles falavam, mostraram-se surpresos com a coincidência. Mas para U’Paka, aquilo não era um simples acaso, poderia ser uma coincidência sim, mas uma coincidência significativa. Ele sabia que deveria haver algum motivo por trás daquele fato. Sentia que aquilo era uma confirmação de que estava no lugar certo, na hora certa, fazendo o que era certo. Que a vida tinha lhe trazido até ali, naquela praia, naquela ilha com aquelas pessoas, por alguma razão ainda desconhecida. Lobo, então contou para todos, a história de como ele e seus amigos, Rica, Boca e Tuco, encontraram a Alaia e as pedrinhas verdes na gruta de Espectro Point. Foi uma aula de história. A maioria dos presentes desconhecia como o surf tinha iniciado em Wavetoon. Quando Lobo terminou, Halolo, com a voz embargada, tomada pela emoção, começou uma incrível narrativa que ele ouviu várias vezes de seus pais e avós, sobre os antepassados da sua família no Hawaii... segue

quinta-feira, 12 de julho de 2007

The Magic Surf Bus.

Minha velha e lendária Kombi, sempre presente, assistiu centenas de vezes cenas como essa. Me perguntam porque não troco de carro, porque não compro uma 4x4. Acho que eu sou um romântico que acredita que coisas, assim como pessoas, podem existir por muito tempo com qualidade. Não necessitam ser descartadas por uma mais nova, só porque existe uma mais nova. Se a gente cuida um pouco delas, nos dão alegrias por muitos anos. Ainda mais o meu Kombão que está impregnado de aventuras incríveis, roubadas fantásticas, mas principalmente do riso dos amigos e dos lugares maravilhosos por onde andou.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Morey Boogie.

Craca hoje pela manhã na direita do Pier

Inventado e desenvolvido no início dos anos 70 no sul da Califórnia pelo designer Tom Morey, o Bodyboarding é hoje uma das mais populares formas de surf. Morey deu uma nova vida ao surf de peito em 1973, através do marketing de sua então recente invenção, chamada "Morey Boogie" uma prancha 4'6" x 23" feita de espuma injetada de polietileno. Fácil, barata e mais segura de andar que uma prancha de surf, o "Morey Boogie" logo tornou-se popular e foi imediatamente adotado por crianças e turistas. É uma prancha que permite o iniciante experimentar imediatamente a sensação mágica de deslizar numa onda, mas também abriu a possibilidade de muitos desafios e novas manobras para os experts, fomentando o desenvolvimento desta modalidade de surf.
(fonte: the encyclopedia of Surfing de Matt Warshaw)

terça-feira, 10 de julho de 2007

SURF HISTÓRIAS - A ÚLTIMA ONDA - introdução


No meio dos anos 60, El Faro era o centro da contra-cultura e de toda a loucura daqueles tempos em Wavetoon. A perfeição daquela onda e a beleza do local, criaram um gueto que a maior parte dos surfistas daqui freqüentava regularmente. Lobo e Tuco, descobridores do lugar, cansados daquela invasão no seu paraíso particular, seguidamente saíam em busca de outros picos. O sangue de pioneiro ainda corria nas suas veias, e eles sempre iam para o sul em busca de ondas maiores quando o swell vinha desta direção. Quase ninguém naquela época, freqüentava este lado da ilha, principalmente quando o mar estava grande. Além deles, poucos surfistas se aventuravam por lá e lhes faziam companhia; Vito, Rica, Boca e o havaiano U’Paka Halolo, acostumados com ondas pesadas, eram os únicos que tinham competência para andar por aqueles lados. Na manhã de 10 de julho de 1966, Tuco e Lobo assistiam desolados, um swell de sul passar ao lado do point break. Ele não entra na baía de El Faro. Aborrecidos pegaram as pranchas e rumaram para o sul. A épica e trágica história que lá se sucedeu, e que será aqui contada pela triste perspectiva de Tuco, transformou o lado sul da ilha num grande tabu durante alguns anos. ...segue

*Esta história foi inspirada no relato de Woodie Brown sobre a morte de Dickie Cross em Waimea. Fato que tornou o local tabu por muitos anos.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Segunda-feira maneira.

O incrível visual de La Barra - a esquerda o canto de Tulipas e a direita a Ponta das Tretas

“A natureza e todas as suas forças são muito mais poderosas do que nós. Mas podemos coexistir com elas física e mentalmente, e quando fazemos isso, experimentamos o sentimento de simplesmente ser, assim como a natureza simplesmente existe, e então expressamos o que e quem realmente somos. Depois de experimentá-lo, este sentimento nunca mais nos deixará. Ficará conosco para sempre e se tornará enorme quando estivermos envolvidos com uma bela e poderosa energia natural. Este é o motivo pelo qual nos viciamos no surf. Porque nunca paramos, e porque continuamos a viajar para terras distantes e oceanos desconhecidos, para experimentar o mesmo e familiar sentimento de simplesmente ser.”

John Rinek (surfista e fotógrafo)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

11. A novidade veio dar na praia – história do surf em Wavetoon – anos 60


Parte 10... Chegaram os anos 60, dias de inocência e de verões intermináveis.
El Faro virou um lugar de peregrinação para os surfistas de Wavetoon. A cantina El Faro, apesar de pequena, estava a caminho de tornar-se um negócio promissor. Vito e Lobo viviam dela, alimentando a galera depois de sessões épicas. Além disso, acharam uma maneira ideal de passar a maior parte do tempo junto aquela onda mágica. Numa perfeita manhã de outono, enquanto um terral suave, soprava acariciando direitas clássicas de um metro, apareceu por ali uma figura excêntrica, um cara que diferia totalmente dos nativos. Um carro estacionou junto às dunas, e dele desceu uma figura morena, extremamente forte, com os olhos rasgados e um largo sorriso no rosto. Entretanto, o que imediatamente chamou à atenção da galera não foi a sua figura, mas a fantástica camisa floreada que vestia e a incrível prancha que tirou de cima do carro. Lobo, que estava indo em direção ao mar, teve que mudar o rumo dos seus passos ao avistar o foguete que o cara baixava do rack. Quem estava na praia não conseguiu conter a curiosidade, e em poucos minutos, àquele havaiano simpático que mal falava português, estava cercado por uma pequena multidão. Aquela superfície brilhante sobre a espuma branca era uma imagem hipnótica e sedutora. Inventada há menos de dois anos na Califórnia, a primeira prancha de poliuretano chegava em Wavetoon. Uma “Hobie Alter” novinha em folha, impressionou a todos, não só pela sua beleza, mas por ser extremamente leve. Lobo, num inglês tosco, cuidou das apresentações até a chegada de Vito. Rica tinha ido chamá-lo, pois o castelhano dominava o idioma do gringo. Traduzindo pra uma galera atenta o que U’Paka Halolo contava, Vito foi desvendando o universo do havaiano para os seus amigos. Era a primeira vez que ouviam alguém falar das ondas havaianas, do north shore, e do big surf que começava a rolar por lá.
A figura carismática de Halolo, começava a descortinar para os locais um novo patamar do surf, uma nova era, que depois deste dia começaria a acontecer por aqui também. ...continua

quinta-feira, 5 de julho de 2007

+ Katchabum

Keila preparando o tubo.

Coloquei ontem um post apresentando Katchabum. Parece que foi premunição. Hoje, embora ainda pequeno, o lugar despertou clássico. Gatas iradas, como Keila e Lucille, marcaram sua presença na água com coragem e determinação. O Craca, como não poderia deixar de ser, estava lá batendo o ponto, e o Iki kamikaze de plantão, e um dos poucos surfistas de pé que arriscam o pescoço nesta onda, também compareceu. Seguem aí, imagens que a Raica me passou há poucos minutos.

Lucille antes do banho.


Lucille e Iki esperando a série.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Katchabum

Craca amarradão enquanto seu amigo Iki arrisca o pescoço na direita kamikaze de Katchabum.

Num dia clássico, um enorme pico lembrando uma cabeça de naja, formar-se a uma boa distância da praia. Move-se com grande velocidade em direção a ela, e quando chega bem perto da costa, atira um tubo monstruoso que termina a poucos metros da areia e às vezes na própria. Surfar aqui é para poucos, além de muito perigosa, a onda invariavelmente tem um final brutal. É o local que mais machuca surfistas em Wavetoon. Desde que começou a ser explorada por kneeboarder’s nos anos 60, Katchabum já matou três surfistas, paralisou mais de vinte e enviou dezenas de outros para o hospital com fraturas e torções. Há poucos dias, partiu um turista ao meio. Já tentaram proibir, mas não adianta, a emoção de surfar esta onda é um vício, e sempre que está boa, o local fica lotado. Craca um dos bodyboarder’s mais fissurados de Katchabum, costuma dizer que surfar lá “é a sensação mais próxima de atirar-se do 10° andar de um edifício com uma locomotiva atrás de você”. No fim dos anos 70, começou a ser freqüentada pelos bodyboarder’s que vieram juntar-se aos kneeboarder’s e bodysurfer’s, tornando-se a maioria no local. É a onda perfeita e o grande desafio para essas modalidades. Surfar em pé por ali, é quase impossível e extremamente arriscado. Com ondulação de sul e vento nordeste fica na condição ideal.
Ao lado Frank fazendo pensamento positivo numa esquerda suicida.
Mais acima,Toa irmão gêmeo de Craca, pairando no ar.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Insólito encontro - cenas do álbum n° 1

O álbum n°1 de Wavetoon está pronto, contando histórias reais acontecidas por aqui, das quais algumas eu participei. Está apenas aguardando o fechamento dos patrocínios para ser publicado. Fui liberado para mostrar algumas cenas que vão rolar por lá.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Segunda-feira maneira.


"Uma lembrança de tempos mais simples. Complexidade só existe se você acredita nela."
Mike Dormer & Lee Teacher - Hot Curl -

domingo, 1 de julho de 2007